Submissão é missão
Sabe lá o que ocorreria se, em meio às investigações da Lava Jato, trocassem o procurador da República, Rodrigo Janot, aquele que assumia as denúncias? Algo mais ou menos parecido se deu com o procurador que tocava o caso da Quadro Negro que envolve a cúpula do governo, de Beto Richa ao atual e ex-presidente da Assembleia, capturando dois poderes.

São situações distantes por não ser possível comparar a ação nacional com a regional, ainda presa a cordialidades clássicas da sociedade cartorial: agiria o Ministério Público estadual no Maranhão de Sarney, no Ceará dos Gomes, em Alagoas dos Calheiros? Pois aqui também não, apesar dos sensíveis sinais de independência principalmente nas ações do Gaeco e expressas nas ações que devassaram a gangue de fiscais da Receita Estadual e dos episódios de desvios nas construções escolares em ambas envolvendo figuras ligadíssimas ao governador.

Houve um momento em que um representante do Ministério Público assumiu a pasta de Segurança e que tentou de cara mexer na escala de quadros policiais de apoio ao Gaeco: houve confronto institucional e todos os órgãos provocados da corporação deram apoio ao braço especializado na luta contra o crime organizado e justamente no interior do governo e a crise, ora restabelecida, foi adiada.

Como se vê, a diferença de situações entre o regional e o nacional é apenas de escala e os esforços da classe política para deter ou contornar o fluxo judicial é permanente. Verdade que não há sentido em comparar a situação do governador com a do presidente Temer ou a do governador Sérgio Cabral do Rio de Janeiro, emblemática tanto quanto à de Eduardo Cunha e de inimaginável reversão. Outro diferencial está na base aliada do nosso governador que é forte e não registra defecções e persistindo a interpretação de que qualquer denúncia deva passar pelo crivo legislativo, mesmo o mais nefando dos crimes, que não é o caso, embora também não redutível ao pecado venial, jamais passaria porque a submissão ali se confunde com missão. E, às vezes, com comissão.

Obstrução
A notícia de que o presidente Michel Temer teve problema de saúde e foi hospitalizado gerou um trauma em meio à votação da segunda denúncia e capaz, por efeitos emocionais, de influir no andamento da sessão que, diante da obstrução oposicionista, não alcançou o quórum mínimo na primeira convocação. Na política, fatos emocionais como esse sofrem variada interpretação: quando Café Filho, que substituíra Getúlio Vargas na Presidência, em 1955, teve que hospitalizar-se não foram poucos os que puseram dúvida no fato enunciado. Se até o suicídio de Vargas, apesar da consumação e da divulgação da Carta Testamento (Silvino Neto a leu teatralmente imitando o presidente o que aprofundou o impacto na população), foi posto em dúvida tornou-se indispensável uma nota oficial do governo esclarecendo que Michel Temer teve um sério desconforto com uma obstrução urológica e careceu de intervenção hospitalar. Obstrução clínica que pode influir na obstrução parlamentar.

Tornozeleira paga
Passou ontem, em segunda discussão, na Assembleia o projeto dos deputados Marcio Pacheco e Gilberto Ribeiro que obriga presos a pagarem (se tiverem recursos, é claro) pelo uso das tornozeleiras eletrônicas. Discutível a aplicação dessa sanção acessória por não estar prevista e assim ferir o princípio da anterioridade legal e não atribuível aos Estados membros, já que objeto de regulação nacional. Apenas dois votos contrários. Ela decorre analogicamente de situações como a da China em que a família paga a bala que foi usada na execução de um sentenciado. O argumento de que só com isso se gasta R$ 16 milhões com o aluguel das tornozeleiras poderia justificar um corte significativo, para fins de economia, na alimentação dos presos e cobrança pelo uso de uniformes. Reflexão não dá dor de cabeça.

Custos
Custo até agora das denúncias contra Michel Temer pode chegar a R$ 32 bi, o que não deixa de ser irônico a um país com deficit fiscal de centenas de bilhões. É, essencialmente, o que se pode chamar de antirreforma.

Erros
A Anatel, agência reguladora, apontou erros históricos de gestão da Sercomtel. Se o faz agora, não foi eficiente no momento da apuração já que lhe caberia um mínimo de intervenção.

Carne roubada
Uma tonelada de carne roubada foi apreendida pelas autoridades no momento em que faziam a descarga na Churrascaria La Ventura na Avenida das Torres na capital. Volta e meia há um incidente desse porte na praça.

Contradição
No meio da roubalheira de bilhões nos governos, Curitiba dá destaque ao cidadão que achou um envelope com mil reais e se empenhou para devolvê-lo ao dono.

Tumulto
Contornos foram criados para facilitar a circulação das cargas nas cercanias dos centros urbanos e é justamente neles que há problemas de engarrafamentos, o de ontem, em função de obras em andamento, se dava no Contorno Leste, região metropolitana.

Folclore
Mais irreverência com religiões nos carnavais: "Vem odalisca pro meu harém// vem, vem, vem// faço o que você quiser// pelas barbas de Maomé// não olho mais pra outra mulher//" .

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