Reflexões sobre a esperança perdida
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de outubro de 2017
Marcos Losnak<br>Especial para a Folha2 

A esperança é um sol que todos desejam agarrar com unhas e dentes. Um sol que pode escapar pelos vãos das unhas e vãos dos dentes.
Agarrar a esperança e perpetuá-la ao alcance das mãos, colada ao corpo ou dentro do bolso, parece ser algo ilusório. O sol, ao que tudo indica, segue caminho próprio.
O escritor russo Anton Tchekhov (1860 1904) realiza uma série de reflexões sobre a volatilidade da esperança na dramaturgia de "As Três Irmãs".
Escrito em 1900, o texto teatral ganhou uma adaptação voltada ao público juvenil realizada pela escritora catarinense Edla Van Steen.
Publicado pela edita Global com ilustrações de Marcelo Cipis, o livro traz uma série de reflexões sobre a esperança e sobre a angústia de acalentar um sonho que não pode se tornar real.
"As Três Irmãs" narra a história de Macha, Irina e Olga, três irmãs que vivem numa pequena cidade do interior da Rússia e sonham em voltar a Moscou, cidade em que viveram a infância.
Órfãs, são três jovens que vivem em profundo tédio apostando na esperança que um dia seus sonhos sejam realizados. Sonhos claramente pueris que, com o passar do tempo, começam a trombar de cara com a realidade.
Graças à herança dos pais, as três nunca precisaram trabalhar. O grande sonho está em encontrar um noivo maravilhoso e devidamente rico.
Para vencer o tédio de não fazer nada o dia todo, resolvem trabalhar como pessoas normais. O problema é que, para elas, o trabalho torna-se um tédio ainda maior. Com pouco mais de 20 anos, as irmãs vivem um pesado cansaço e um tédio cruel comparável a alguém com mais de 80 anos.
Anton Tchekhov retrata a angústia juvenil num mundo viciado que não oferece oportunidades. Mas também, acima de tudo, retrata a angústia de jovens acomodados que não querem correr nenhum tipo de risco para mudar o mundo real.
Uma das personagens de "As Três Irmãs" possui uma fala exemplar: "Mal começamos a viver, já somos passado. E ficamos velhos. Chatos. Preguiçosos. Inúteis. Indiferentes. Infelizes. Amargos. Fracassados."
A esperança é um sol que todo mundo gostaria de agarrar com unhas e dentes. Um sol que pode escapar a qualquer hora. Pelos vãos das unhas. Pelos vãos dos dentes. Pelos vãos dos ventos.

Serviço:
"As Três Irmãs"
Autor Anton Tchekhov
Adaptação e tradução Edla Van Steen
Ilustrações Marcelo Cipis
Editora Global
Páginas 88
Quanto R$ 35


