Onde está o ponto cego da nossa mudança?
Viviane Canziani Pagani, fundadora do Miami Institute of Knowledge explica sua Teoria do Ponto Cego
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sábado, 19 de setembro de 2026
Viviane Canziani Pagani, fundadora do Miami Institute of Knowledge explica sua Teoria do Ponto Cego

Após 40 anos de uma trajetória profissional, Viviane Canziani Pagani decidiu fazer uma transição de carreira: formada em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com LL.M. (Master of Laws), um programa de pós-graduação, pela Universidade de Houston, nos EUA, ela passou a ser gestora de estilo de vida saudável (health coach), formada pelo Institute for Integrative Nutrition, de Nova York, e pós-graduada em Nutrição Clínica em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade VP Nutrição Funcional. Recentemente, concluiu Nutrição. É fundadora e CEO do Miami Institute of Knowledge (MIOK), e criadora da Teoria do Ponto Cego. Nesta entrevista exclusiva à coluna, ela conta um pouco dessa trajetória e da teoria.
De que maneira sua trajetória de vida a levou à transição de carreira?
Vivi uma mudança profissional importante, do Direito para a área da saúde. Minhas próprias experiências com uma severa intolerância alimentar ao glúten me despertaram o desejo de compreender melhor o corpo e a relação entre o modo como vivemos e o nosso bem-estar. Isso me levou a buscar novas formações e a trabalhar nessa área. Uma questão começou a me chamar a atenção: muitos sabiam o que precisavam fazer, queriam mudar e, ainda assim, não conseguiam sustentar a mudança. Essa inquietação, que também reconhecia na minha própria vida, está na origem do trabalho que desenvolvo hoje. Meu trabalho é voltado à mudança de comportamento e ao estilo de vida saudável, com atenção especial às mulheres a partir dos 40 anos.
O que é a Teoria do Ponto Cego?
É uma abordagem que estou desenvolvendo a partir de uma pergunta: por que, mesmo querendo mudar, temos dificuldade em sustentar a mudança? A ideia central é olhar para a relação entre a demanda de um comportamento e a capacidade disponível para realizá-lo. Vejo quatro dimensões: corpo, mente, propósito e ambiente. Isso envolve energia, condições físicas e emocionais, sentido pessoal e as condições concretas da rotina. Essa capacidade pode variar conforme o momento e o contexto em que vivemos. O “ponto cego” aparece quando avaliamos a dificuldade de mudar sem enxergar essa relação. Uma pessoa pode interpretar suas tentativas frustradas como falta de disciplina, enquanto deixa de perceber o quanto está sobrecarregada ou sem apoio. É um diálogo sobre mudança de comportamento: o que precisa ser ajustado ou fortalecido para que essa mudança se torne possível e sustentável?
Isso significa que a mudança de comportamento não depende apenas de querer mudar?
Exatamente. Querer é importante, mas a vontade precisa encontrar condições para se transformar em ação. Um dos objetivos centrais do meu trabalho é ajudar a aliviar a culpa que tantas pessoas carregam, sem retirar a responsabilidade pelo que podem fazer a partir de agora. Esse olhar é especialmente importante para as mulheres a partir dos 40 anos. Muitas de nós acumulamos responsabilidades profissionais, cuidados com os filhos, com a casa e, cada vez mais, com os pais que estão envelhecendo. Em meio a essa sobrecarga, ainda nos cobramos para dar conta de tudo e cuidar de nós mesmas como se tivéssemos tempo e energia ilimitados. Olhar para nós com mais compaixão permite reconhecer o nosso momento e construir um caminho possível. Isso pode envolver ajustar o tamanho do primeiro passo, buscar apoio, reorganizar a rotina e fortalecer as condições para avançar aos poucos. A responsabilidade permanece, acompanhada de uma compreensão mais realista de quem somos e do que conseguimos sustentar hoje.






