Após 40 anos de uma trajetória profissional, Viviane Canziani Pagani decidiu fazer uma transição de carreira: formada em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com LL.M. (Master of Laws), um programa de pós-graduação, pela Universidade de Houston, nos EUA, ela passou a ser gestora de estilo de vida saudável (health coach), formada pelo Institute for Integrative Nutrition, de Nova York, e pós-graduada em Nutrição Clínica em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade VP Nutrição Funcional. Recentemente, concluiu Nutrição. É fundadora e CEO do Miami Institute of Knowledge (MIOK), e criadora da Teoria do Ponto Cego. Nesta entrevista exclusiva à coluna, ela conta um pouco dessa trajetória e da teoria.

De que maneira sua trajetória de vida a levou à transição de carreira?

Vivi uma mudança profissional importante, do Direito para a área da saúde. Minhas próprias experiências com uma severa intolerância alimentar ao glúten me despertaram o desejo de compreender melhor o corpo e a relação entre o modo como vivemos e o nosso bem-estar. Isso me levou a buscar novas formações e a trabalhar nessa área. Uma questão começou a me chamar a atenção: muitos sabiam o que precisavam fazer, queriam mudar e, ainda assim, não conseguiam sustentar a mudança. Essa inquietação, que também reconhecia na minha própria vida, está na origem do trabalho que desenvolvo hoje. Meu trabalho é voltado à mudança de comportamento e ao estilo de vida saudável, com atenção especial às mulheres a partir dos 40 anos.

O que é a Teoria do Ponto Cego?

É uma abordagem que estou desenvolvendo a partir de uma pergunta: por que, mesmo querendo mudar, temos dificuldade em sustentar a mudança? A ideia central é olhar para a relação entre a demanda de um comportamento e a capacidade disponível para realizá-lo. Vejo quatro dimensões: corpo, mente, propósito e ambiente. Isso envolve energia, condições físicas e emocionais, sentido pessoal e as condições concretas da rotina. Essa capacidade pode variar conforme o momento e o contexto em que vivemos. O “ponto cego” aparece quando avaliamos a dificuldade de mudar sem enxergar essa relação. Uma pessoa pode interpretar suas tentativas frustradas como falta de disciplina, enquanto deixa de perceber o quanto está sobrecarregada ou sem apoio. É um diálogo sobre mudança de comportamento: o que precisa ser ajustado ou fortalecido para que essa mudança se torne possível e sustentável?

Isso significa que a mudança de comportamento não depende apenas de querer mudar?

Exatamente. Querer é importante, mas a vontade precisa encontrar condições para se transformar em ação. Um dos objetivos centrais do meu trabalho é ajudar a aliviar a culpa que tantas pessoas carregam, sem retirar a responsabilidade pelo que podem fazer a partir de agora. Esse olhar é especialmente importante para as mulheres a partir dos 40 anos. Muitas de nós acumulamos responsabilidades profissionais, cuidados com os filhos, com a casa e, cada vez mais, com os pais que estão envelhecendo. Em meio a essa sobrecarga, ainda nos cobramos para dar conta de tudo e cuidar de nós mesmas como se tivéssemos tempo e energia ilimitados. Olhar para nós com mais compaixão permite reconhecer o nosso momento e construir um caminho possível. Isso pode envolver ajustar o tamanho do primeiro passo, buscar apoio, reorganizar a rotina e fortalecer as condições para avançar aos poucos. A responsabilidade permanece, acompanhada de uma compreensão mais realista de quem somos e do que conseguimos sustentar hoje.

Imagem ilustrativa da imagem Onde está o ponto cego da nossa mudança?
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