Bruna Priscinotti Sahão é uma verdadeira heroína quando o assunto é tornar a arte mais acessível ao público. Professora e infoprofutora, ela conseguiu um verdadeiro feito desde 2018, quando voltou da Itália. Eu, particularmente, a conheço desde então, quando tive a oportunidade de ser seu aluno em um curso de italiano. Na época, ela nem tinha Instagram e, hoje, se comunica com mais de 82 mil seguidores nas redes sociais, para os quais vende cursos diariamente. Currículo e gabarito, Bruna tem: formada em Comunicação Social na Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em Gestão de Projetos Culturais na Universidade de São Paulo (USP), é mestre em História da Arte na Universidade de Florença (Università degli Studi di Firenze), uma das mais conceituadas no âmbito artístico. Ela bateu um papo com a coluna sobre arte e cultura. Veja os principais trechos:

Imagem ilustrativa da imagem A arte de tornar a Arte mais acessível
| Foto: Jéssica Pizza

Como foi a sua “transição” até “viralizar” nas redes sociais?

Para quem produz conteúdo não exatamente “viral” como o meu, crescer na rede social depende de muitas iniciativas. É difícil viralizar um vídeo porque não faço comédia. Ensino arte de forma acessível a todos, mas é sempre um desafio condensar um conteúdo instrutivo, interessante e didático em um minuto. Então, o crescimento se deve ao investimento em tráfego, aulas gratuitas e outras iniciativas. Hoje vivo do meu trabalho online, vendo cursos diariamente com diferentes ações de venda. Tudo isso acaba trazendo novos seguidores e um engajamento considerável.

A que você atribui essa grande procura das pessoas pela arte?

Eu não diria que existe uma grande procura pela arte. Diria que existe uma curiosidade em entender melhor a respeito. Principalmente para aqueles que viajam, visitam museus e acabam se deparando com obras que gostam, mas não sabem nada a respeito. Aí vem o interesse em estudar e entender o que viram. De forma geral, vejo que as pessoas que buscam entender a História da Arte se dividem em dois tipos: ou já foram apresentadas desde criança a esse universo ou sentiram necessidade de começar depois de adultos porque descobriram uma lacuna de conhecimento e isso os incomodou de alguma forma. É muito chato entrar num museu e não entender nada do que está vendo. Por isso, muitos nem entram. Mas os curiosos acabam se sentindo instigados a descobrir. É aí que me encontram. Vejo que a arte precisa de um rito inicial. Você precisa primeiro se encantar com ela. E, depois, vai querer descobrir sua história.

Em que patamar está hoje a apreciação da arte?

Atualmente, ninguém vive sem arte. Todo mundo assiste filme, vê série, ouve música, lê livros. Mas pouca gente visita museu no Brasil, então, acredito que a apreciação das artes plásticas ainda está longe do grande público. Muitos consideram visitar uma mostra ou fazer um curso em História da Arte como coisa de gente rica. Mas o que mais ouço dos meus alunos é justamente o quanto eles aprenderam a ver o mundo com outros olhos depois das minhas aulas. O quanto que falar de arte é bom, é prazeroso, é acolhedor. É alimentar a alma. Acho que para aqueles que são curiosos, a apreciação da arte passa a ser rotina. Quanto mais você aprende, mais quer aprender. Quanto mais você se encanta, mais quer se encantar. Quanto mais viaja, mais quer viajar. Não tem caminho de volta para quem entende que falar de arte não é luxo, mas necessidade. Ela nos ajuda a viver melhor.

Como você posiciona Londrina no quesito produção, valorização e apreciação da arte no geral?

É difícil tentar posicionar a produção cultural de uma cidade que não tem um teatro adequado, para começar. Claramente faltam espaços de vivência cultural e artística na cidade. Londrina não tem estrutura para receber grandes espetáculos de dança ou orquestras completas, por exemplo. Tudo precisa ser adaptado e reduzido. É lamentável, o público londrinense sempre sai perdendo. Felizmente, temos pessoas engajadas com o cenário cultural da cidade – apesar da falta de espaços. A cidade ainda consegue manter o FILO, Festival de Música e outras iniciativas importantes no cenário nacional, isso é fundamental. As pessoas precisam ter a oportunidade de vivenciar a arte.Mas uma coisa é assistir a uma orquestra, um ballet, um concerto. Outra é sentar na cadeira e estudar a arte. Promover palestras, encontros, cursos sobre arte e sua história é algo que nunca vi por aqui. Talvez eu seja a única a fazer isso.

mockup