O nascer e o pôr-do-sol faziam parte das preocupações diárias de Haruo Ohara (1909-1999) ao fotografar familiares, o cotidiano dos lavradores e as paisagens rurais. Ele só apertava o botão da câmera quando encontrava a luz natural adequada.
Essa meticulosidade é sugerida em inúmeras imagens registradas pelo fotógrafo-agricultor que saiu do Japão para viver no Brasil na década de 30. Se estivesse vivo, ele faria 105 anos na semana passada. O aniversário foi comemorado com a abertura de uma exposição em Londrina - onde trabalhou, constituiu família e teve seu legado fotográfico reconhecido como o mais importante da história do município.
"Nós, da família, não dávamos muito valor para as fotografias que meu pai fazia. Elas estavam ali todo dia à nossa vista, faziam parte do mobiliário da casa. Era uma coisa normal. Às vezes, ele nos tirava cedo da cama para ir posar para fotos no campo. Eu ficava brava. Em algumas fotos do acervo, estou lá com cara amarrada. Hoje sei que meu pai era muito bom. Montei essa exposição para homenageá-lo", diz Maria Etuko Ohara Barbosa, a filha caçula de nove filhos de Haruo.
Artesã tarimbada no segmento de patchwork, ela abriu a exposição "Haruo Ohara por Maria Ohara" no Centro Cultural Ceddo (R. Pernambuco, 725), reunindo 18 painéis com reproduções em quilt artístico das fotografias em preto e branco do pai.
A exposição fica em cartaz até o dia 10 de dezembro, data do aniversário de Londrina. Visitação gratuita de segunda a sexta-feira das 8h às 18h e aos sábados das 8h às 13 horas.


- Seu acervo está preservado no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro. É composto de oito mil negativosa em preto e branco, dez mil negativos coloridos, além de dezenas de álbuns e documentos pessoais

- Tipo de patchwork, feito com máquina de costura, onde há sobreposição de tecidos e uso de pontos diferenciados para obter determinado efeito visual


O Programa Folha Cidadania é o desafio social da Folha de Londrina no combate ao analfabetismo funcional

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