FIORI LUIZ
Nossa homenagem
Lembrar os "causos", as estórias e as histórias de Carlos Antônio Franchello, o eterno presidente do Londrina, é uma forma de manter viva a imagem daquele que foi o maior nome da história do Londrina Esporte Clube. Existem algumas verdades, alguns fatos inventados, enfim, ele era o centro das atenções.
Show no Rio
Dia 19 de fevereiro de 1978. São Januário. Jogo, Vasco da Gama x Londrina. Campeonato Brasileiro da Série A. Estádio lotado (maior público até hoje). O LEC já havia vencido Flamengo, Corinthians e Santos. E, apesar da enorme pressão, vitória sobre o time do Eurico Miranda por 2 a 0, gols de Brandão e Carlos Alberto Garcia. Antes do jogo, tinha uns 30 seguranças do Vasco dentro do campo, uma forma de intimidar. Franchello, com uma camisa do Corpo de Bombeiros, ameaçou:
- Meu time não entra em campo. Ou esses seguranças saem ou o Londrina fica no vestiário.
Na hora, foi rodeado de repórteres, das rádios Globo, Tupi e Nacional. E foi atendido. Em seguida, com os times em campo, dirigiu-se respeitosamente ao árbitro e falou baixinho:
- O senhor está com prestígio, hein? Sabe quem está no camarote? O Ministro da Educação, Ney Braga. Ele veio ver o jogo.
Na verdade, não tinha ministro nenhum no estádio. Foi um jeito Franchello de falar ao árbitro, "apita direito, viu".
Grande criador
Não lembro o ano. Franchello foi a uma cidade do interior paulista contratar três jogadores. O presidente do tal clube não quis conversa:
- Ou traz um bom avalista ou não tem negócio.
Franchello tentou ponderar, mas nada feito. Aí, pediu emprestado o telefone e fez uma ligação:
- Você pode vir agora. Não, tem que ser hoje. Deixa esse negócio de gado para amanhã. É a última vez que peço algum favor. Pega o avião e venha. Antes de ir para Goiás, dê uma paradinha aqui. O time aqui só vende se tiver um bom avalista.
Desligou, virou-se para o presidente e disse que o amigo era o rei do gado do Paraná e que estava de saída para Goiás, onde venderia 5 mil cabeças de gado. Duas horas depois, quem aparece na sede do time? Um cidadão com chapéu de boiadeiro, cinto de boiadeiro, bota de boiadeiro. E já chegou xingando o Franchello:
- É a última vez que vou te ajudar. E vamos logo com isso, que não tempo a perder.
Promissórias na mesa, Franchello assinou e o "rico pecuarista" endossou. Dizem, e acredito ser invenção, que a tinta da caneta do Franchello apagava depois de duas semanas (aí já é demais, não?"). Afinal, quem era o tal amigo, o rei do gado? Nada mais, nada menos do que Murilo Zamboni, que mais tarde seria presidente do Londrina e comentarista esportivo no rádio e TV. Teria sido assim. Quando chegaram na tal cidade, Zamboni e o motorista do Londrina, ficaram num posto de gasolina na entrada da cidade. A ordem era para o Zamboni aparecer na sede do clube três horas depois. E foi o que aconteceu.
Enfim, tinha muitas estórias. Franchello era um bom negociador, comprava e vendia jogadores, era muito respeitado pelos dirigentes de clubes paranaenses e de fora do Paraná. É um tipo de dirigente hoje em extinção. Saudades.





