Na esfera esportiva, a semana do aniversário da cidade começa com a expectativa sobre a resposta do Conselho de Representantes do Londrina à proposta do gestor Sérgio Malucelli de zerar os repasses para o clube em 2019, em troca do pagamento do passivo acumulado este ano.

É a famosa história em que ninguém e todo mundo estão certos. A SM Sports alega dificuldades financeiras, e Malucelli pode saltar do barco antes mesmo do fim do contrato com o LEC, no final de 2020. O Londrina, por seu lado, se não pode abrir mão da sua única fonte de recursos, pouco ou nada fez nos últimos anos para tocar a vida sem parceria.

Acredito que ganhar dinheiro com o LEC é difícil. Além dos custos de disputar a Série B serem muito maiores do que na Divisão de Acesso, jogam contra a eterna indolência da torcida londrinense, que raramente vai em peso ao estádio porque não tem o time "que merece" (tenho a teoria de que se Londrina tivesse o time "que merece" não teria time algum, mas esse debate fica para outro dia), e os estertores da crise econômica, que ainda empurram o futebol mais para o fundo na lista de prioridades do orçamento familiar. Como acontece com quase todo clube brasileiro, o dinheiro da TV é que salva.

Mas também é obrigatório considerar que a vitrine proporcionada pela importância da cidade e pelo peso da camisa alviceleste transforma o Londrina em um negócio muito melhor que um Iraty da vida. A relação SM-LEC está longe de ser uma em que apenas um lado ganha, ao contrário do que os apoiadores de Malucelli defendem.

Em tempo: a intervenção da Justiça do Trabalho, decretada há quase dez anos, ocorreu para que o clube fosse obrigado a pagar suas dívidas, o que está acontecendo. Considerando que a proposta da SM diz respeito decisivamente à saúde financeira do Londrina, não seria o caso do Ministério Público do Trabalho se pronunciar?

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