Vai demorar para esquentar
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segunda-feira, 18 de junho de 2018
Fábio Galão<br>[email protected] 
Imagine o seguinte cenário: uma Copa do Mundo em que o Brasil tivesse no seu grupo na primeira fase o atual campeão, o vice-campeão do Mundial retrasado e uma seleção do Leste europeu com uma boa safra de jogadores. Hoje, daria Alemanha, Holanda (se tivesse se classificado) e, digamos, Croácia. Não seria muito mais emocionante e divertido do que enfrentar Suíça, Costa Rica e Sérvia?
E digamos que esta mesma Copa tivesse outro grupo encabeçado por uma seleção sul-americana bicampeã mundial e a atual campeã europeia hoje, Argentina e Portugal. Messi contra Cristiano Ronaldo na primeira fase da Copa do Mundo? Não seria espetacular?
Agora, pare de imaginar. Esses dois cenários aconteceram na Copa de 1970. Na primeira fase daquele Mundial, o Brasil enfrentou na primeira fase a Checoslováquia, que havia vencido na decisão de 1962, a Inglaterra, campeã de 1966 e com a melhor seleção da sua história, e a Romênia, que complicou as coisas para Pelé e companhia e perdeu por 3 a 2. Em outro grupo, estavam Uruguai, que chegaria à semifinal, e a Itália, vencedora da Euro de 1968.
É claro que não se pretende aqui comparar o nível técnico das duas Copas, até porque o futebol e seu ritmo mudaram muito desde então, mas a conclusão óbvia é que, quando há menos seleções, as chances de confrontos sensacionais desde o início do torneio é maior. Em 1970, jogaram no México apenas 16 times, metade da quantia que está participando da disputa na Rússia. E um terço do que será em 2026, na Copa dos Estados Unidos, Canadá e México.
Hoje, por politicagem e razões financeiras, a Fifa infla cada vez mais seu principal produto. Ainda existem jogos sensacionais na primeira fase, como Portugal 3 x 3 Espanha, e é certo que a fase de grupos de 1970 também teve partidas modorrentas. E, vez ou outra, o sorteio continua proporcionando chaves espetaculares, como o grupo da morte de 2014, com três campeões mundiais Itália, Inglaterra e Uruguai e no qual a surpreendente Costa Rica saiu para as oitavas com a melhor campanha.
Mas a verdade é que Marrocos x Irã, Costa Rica x Sérvia e Panamá x Tunísia estão mais para regra do que para exceção no formato atual. A Copa ainda vai demorar para esquentar. Com 48 seleções e grupos de três na primeira fase, será pior ainda.


