SUBIR OU NÃO SUBIR
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Diego Prazeres<br>[email protected] 
A semana de resultados que só favoreceram o Londrina reforçou a minha sensação de que o acesso para a Série A vai sendo iminente. E essa sensação vem acompanhada de um sentimento esquisito, um sentimento que certamente vai na contramão do que deseja a maioria dos torcedores alvicelestes.
É difícil, muito difícil apontar um fator negativo de um eventual retorno do Tubarão à elite do futebol brasileiro depois de quase 35 anos. A cidade ganha, acima de tudo, em visibilidade e na movimentação financeira, com a ocupação de hotéis, bares e restaurantes que os jogos contra alguns dos maiores times do País vão proporcionar.
Além disso, ganha também o clube, ou sua parceira SM, ou os dois, com o dinheiro proveniente das cotas de televisão e direitos de imagem. Argumentos consistentes.
Concordo com eles, mas vejo com ressalvas essa possível, e cada vez mais aparente, classificação do LEC. E explico por quê. O planejamento traçado pela SM e pelo clube desde que a parceria foi firmada, há seis anos, apontava um retorno à Série B exatamente dentro de três a quatro anos, o que, portanto, foi cumprido. E uma vez alcançado esse objetivo, o segundo passo seria a consolidação do clube no segundo escalão para, aí sim, em mais três, quatro anos, estar suficientemente preparado para chegar à Primeira Divisão e nela permanecer.
O Londrina está queimando etapas. E isso pode ser bom, se seguirmos a lógica imediatista, mas também perigoso. Não sei, sinceramente, se o clube teria bala na agulha para encarar a Série A já em 2017 de forma que não passe o que passou o Joinville, ano passado, e o que está passando o América-MG nesta temporada.
E não vale levantar o caso da Chapecoense, que subiu e não caiu mais. Porque a Chapecoense, diferentemente do Londrina, se fortaleceu fora de campo para que dentro dele atingisse o sucesso que atingiu. Por força contratual, o Londrina depende demais da SM Sports, que volta e meia reclama de não conseguir apoio o suficiente para poder bancar as despesas com o futebol.
Estando na Série A, esse apoio viria? E bastaria? São minhas dúvidas. Retomo o assunto na próxima coluna, mas, para que fique bem claro: o coração diverge desse meu raciocínio e me fez perder algumas horas do final de semana para secar o Náutico, o Bahia e o Criciúma. Afinal, ele quer o Tuba na Série A já. Boa semana.


