Que fique o legado
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segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Diego Prazeres 
Me acusam de Tencatista. É que desde que Claudio Tencati reconduziu o Londrina à Primeira Divisão do Campeonato Paranaense, lá em 2011, jamais concebi que qualquer solução para os problemas que o time viria a ter dali pra frente passava pela troca no comando técnico. Talvez seja essa uma das medidas mais acertadas pelo gestor desde que passou a mandar no futebol do Tubarão apesar de, nos bastidores, ter ouvido relatos de que SM em ao menos três ocasiões cogitou mandar o treinador embora. Consta que até o Freitas Nascimento, o mais longevo dos tempos pré-Tencati (ficou 16 meses, de dezembro de 2000 a abril de 2002), ele quis ressuscitar.
E muito dessa convicção em relação à permanência do Tencati vem da postura profissional que esse rapaz demonstrou nesses quase sete anos de trabalho à frente do Tubarão. E aqui cabe esclarecer que devo tê-lo encontrado não mais do que três vezes nesse tempo todo. Todas para entrevistá-lo.
Dizem que a primeira impressão é a que fica. Discordo. Mas no caso, ficou. Na primeira vez que ouvi o Tencati se pronunciar à imprensa após um jogo em que o time ganhou sem empolgar deve ter sido logo na estreia da Divisão de Acesso, sei lá considerei sua análise muito mais crítica a respeito do desempenho do que dos próprios colegas que o entrevistavam.
Logo depois veio um episódio que mostrou que, se ainda lhe faltava escopo para ser um treinador à altura da pressão inerente ao cargo, lhe sobrava postura. O gestor havia proibido a mim e ao jornal extinto de entrar no CT da SM Sports por não gostar de duas notas que haviam saído na coluna. Além de fechar os portões, o gestor disse também que proibiria que alguém do clube nos desse entrevistas.
Um que acatou a "ordem" foi o próprio presidente do Londrina à época, o mesmo que está aí hoje, numa clara subserviência incompatível com o cargo. Tencati, veja só, a ignorou, porque entendia que não tinha nada a ver uma coisa com a outra. E nos atendia sempre que solicitado.
Em campo, é claro que o treinador, como todo treinador que se preze, teve convicções equivocadas, escolhas equivocadas. Mas como condenar um trabalho que, a despeito de constantes mudanças de elenco nesses seis anos e meio, mostrou a consistência que culminou em resultados que, hoje todos reconhecemos, colocaram o Londrina em um outro patamar? Não vou enumerar as conquistas, porque me falta espaço, e você já deve estar cansado de saber. Temo, com Ricardinho, a volta daquele Londrina de três, quatro treinadores por temporada. É neófito demais para o padrão que o Londrina atingiu. Espero que esteja errado. O que o clube não pode desperdiçar é o legado absolutamente vitorioso que o Tencati vai deixar. Boa semana.


