Primeiras impressões.
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segunda-feira, 22 de abril de 2019
Diego Prazeres - Grupo Folha 
Assim que subiu ao palco para se apresentar na edição especial do Samba da Madrugada, na madruga do último domingo, aqui em Londrina, o octogenário compositor fluminense Aluísio Machado, mestre no gênero do samba de enredo, avisou ao público: “Ninguém tem uma segunda chance pra causar a primeira impressão”. Perfeito, embora saibamos que nem sempre a primeira impressão é a que fica.
Roberto Fonseca foi relativamente bem em sua primeira experiência como técnico do Londrina, na Série C de 2005, quando o clube caiu na terceira fase de mata-mata, diante do Ceilândia (DF) – que na época, justiça seja feita, tinha um orçamento muito maior, a despeito de sua inexpressividade no cenário nacional. Já na segunda passagem, no Paranaense de 2007, o treinador teve mais baixos do que altos, tanto que acabou sendo demitido no meio do caminho.
Na terceira vinda, ano passado, Fonseca conquistou a torcida alviceleste. Com o currículo mais sólido, campeão recente da Copa do Nordeste com o Sampaio Corrêa, ele pegou um Londrina em frangalhos na Série B e chegou às últimas rodadas brigando pelo acesso. Para muitos que não lembravam ou nem sabiam das trajetórias anteriores do técnico por aqui, Roberto Fonseca foi um raro caso de quem teve mais que uma chance para causar a primeira impressão.
Só que agora, em sua quase quarta passagem pelo Tubarão, veio o desgaste, previsível e desnecessário. Era mais do que claro, e isso foi escrito aqui, que não fazia o menor sentido o técnico ficar quatro meses fora para voltar às vésperas da Série B. Ou ficasse desde o início da temporada ou não voltasse mais. Simples assim. O treinador voltou, reclamando que não teve os reforços combinados, mexeu em um time que já estava afinado, e o resultado foi um catastrófico 4 a 0 em Salvador.
Nem acho que a eliminação na Copa do Brasil terá sido um vexame, caso confirmada a queda no jogo da volta, quinta-feira. Longe disso. O Londrina chegou entre os 10 melhores da competição, algo que não se previra lá atrás. E o Bahia, como o próprio Fonseca já alertava, está hoje em outro patamar, técnico e financeiro. Ademais, nos dois jogos anteriores contra o Esquadrão de Aço, ambos pela Série B de 2016, o Tubarão venceu.
O problema, claro, foi a forma como se perdeu na Arena Fonte Nova. Culminando no papelão da demissão do treinador no retorno a Londrina. Há quem diga que Fonseca já tem time em vista. Pode ser. Não é o que importa agora. Que seja feliz onde for. Resta saber como fica o comando aqui. Tenho dúvidas se Alemão, mesmo tendo se revelado uma grata surpresa no Paranaense, está pronto para tocar o time em uma competição longa e difícil como a Série B. A exemplo do ano passado, o Londrina começa a competição novamente sob um grande ponto de interrogação. Tomara que o barco se aprume a tempo. Boa semana.


