Na noite de domingo (7), a América conheceria seus dois campeões: o Brasil e o vencedor da Copa Ouro da Concacaf, que sairia da final entre México e Estados Unidos, realizada após o fechamento desta edição. Você se importa em saber quem ganhou? Acho que não. No Egito, está rolando a Copa Africana das Nações. Você saberia dizer quem venceu a edição anterior? Desconfio que não.

É pouco provável que a imprensa de outros continentes dê muito destaque nesta segunda-feira (8) ao título do Brasil, a não ser talvez para mencionar um ou outro jogador de algum clube europeu que tenha se destacado ou alguém que ainda jogue por aqui e esteja na mira de algum time do Velho Continente. A América do Sul, que antes protagonizava com a Europa o grande duelo do futebol mundial, está se juntando às Américas do Norte e Central, África, Ásia e Oceania na periferia da bola.

Não bastassem as quatro Copas do Mundo seguidas sem título (e com só um finalista, a Argentina em 2014), a Copa América encerrada nesse domingo foi exemplar desse fenômeno de apequenamento: jogos sofríveis, com a depressão complementada pelas arquibancadas vazias e pelos gramados de várzea. É a fatura cobrada por décadas de corrupção, incompetência e empáfia.

A América do Sul ainda tem vários dos melhores jogadores do mundo, mas eles só ostentam essa condição porque saem cada vez mais cedo do subcontinente e assimilam na Europa uma cultura de trabalho e tática que inexiste por aqui. Quando jogam por suas seleções, não costumam repetir o desempenho porque são treinados por comandantes parados no tempo – Tite, o campeão da América do Sul, tomou um nó tático no ano passado de um técnico contratado pela internet.

O fosso no futebol de clubes é ainda maior, e um colega de redação aqui da FOLHA, são-paulino, já falou mais de uma vez: “Se nunca mais um time sul-americano vai ganhar o Mundial de Clubes, quer dizer que nenhum brasileiro vai ter mais títulos que o São Paulo”. Esses prêmios de consolação servem também para o futebol de seleções: tem gente que se contenta em ganhar de rivais locais despedaçados, como o Brasil fez com a Argentina e o Peru com o Chile. Ganhar coisa importante de verdade ficou muito difícil.

Copa feminina

A dirigente tailandesa que chorou com o primeiro gol da sua seleção, mesmo com o time tomando outros 18 em duas partidas; o recorde de Marta; Camarões se classificando com um golaço aos 49 do segundo tempo; a briga das campeãs americanas (vencedoras) para que sua federação lhes destine o mesmo tratamento que dá à seleção masculina (perdedores): se nada disso empolgou você, meu chapa, o problema é seu, não do futebol feminino.

Londrina

Independentemente da importância da partida, não deixa de haver justiça poética quando o time a que os londrinenses mais recorrem para desprezar o Londrina é derrotado pelo patinho feio. Os torcedores pizzas (meio LEC, meio Corinthians) têm motivos para se preocupar: estão torcendo para dois times de Série B.

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