Imagem ilustrativa da imagem Prêmio ao pragmatismo
| Foto: AFP



Com seis gols, a final da Copa do Mundo de 2018 foi mais agitada e divertida do que boa parte do Mundial, cheio de jogos sonolentos. Mas, na essência, a partida traduziu muito bem o que se viu nos 30 dias anteriores nos gramados da Rússia.

A Copa do Mundo hoje é um torneio disputado por atletas aquém das suas melhores condições, porque estão desentrosados, já que antes do Mundial jogam juntos apenas a cada dois ou três meses, e cansados, moídos pela intensa temporada europeia. Dessa forma, os técnicos priorizam a montagem das defesas, algo mais fácil de fazer do que buscar formas de furar essas barreiras. Acaba que o vencedor não é necessariamente quem joga o melhor futebol, mas quem erra menos.

Por isso os gols de bola parada foram tão importantes na Rússia e representaram metade das bolas na rede da final. Três gols, os dois primeiros da França (contra de Mandzukic e pênalti infantil de Perisic) e o segundo da Croácia (frango de Lloris), nasceram exclusivamente de falhas individuais, reforçando a teoria de que a eficiência vence.

A França foi a seleção mais eficiente de toda a Copa, e também na final. A Croácia finalizou 15 vezes na decisão, praticamente o dobro do que fizeram os franceses (oito), e tiveram 61% de posse de bola. Mas daqui a 50 anos o que se lembrará do Mundial de 2018 não será nada disso, e sim que a França foi bicampeã.

Esse prêmio ao pragmatismo não é exatamente ruim, já que não impede que os adeptos dessa política protagonizem grandes jogos, como a final deste domingo (15). Porém, essa França não encanta, assim como os três campeões mundiais anteriores – a última seleção que ganhou jogando bonito foi o Brasil de 2002, que fez uma campanha com vários grandes jogos. A era das seleções espetaculares chegou ao fim.

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