Posso até perder, mas entro para atacar e ganhar”. A frase poderia até ser de Pep Guardiola, campeão inglês com Manchester City, neste domingo (12), com aquele futebol de toques e posse de bola, que colocou o treinador na história com o lendário Barcelona de Messi, Iniesta e Xavi. Mas, a frase é do atual treinador do LEC, Alemão, após o empate contra o Coritiba, na capital paranaense, na última quinta-feira (9), pela terceira rodada da Série B.

É impossível afirmar se o técnico - desconhecido da maioria dos torcedores alvicelestes no início do ano - vai permanecer no comando do Londrina até o final do campeonato. Por outro lado, é só olhar para os primeiros quatro meses de 2019 para chegar a duas conclusões: o planejamento do LEC não foi bom para o clube, só para o Novorizontino, que levou o treinador Roberto Fonseca e destaques do Londrina, mas não devolveu nada em troca. Assim, Alemão e a garotada surgiram no Paranaense e até na eliminação contra o Coxa no Estadual, o Tubarão mostrou um futebol bem jogado. Alemão, Anderson Oliveira e Luquinha são as surpresas de um ano com planejamento comprometido.

Depois da indigestão baiana na Copa do Brasil, quando o LEC de Fonseca não viu a bola, o novato Alemão assumiu o comando do LEC, pela segunda vez no ano, ainda com “status” de interino. Aos poucos, o novo treinador mostra uma mentalidade rara no futebol nacional, que esqueceu suas origens e valoriza em excesso apenas o resultado, deixando no banco de reservas a beleza do jogo.

Marcação alta, bola no chão e velocidade. Muita velocidade! Se na linha lateral do campo, o Londrina conta com um treinador que enxerga o futebol de uma maneira muito mais interessante do que apenas a ultrapassada “retranca”, dentro de campo ainda conta com os talentosos Anderson Oliveira e Luquinha. A dupla de pratas da casa se encaixam muito bem no esquema tático, que valoriza a transição rápida com a bola no chão, a chegada na linha de fundo e os passes certeiros até o alvo final. O bom e velho manual do futebol arte! Colocar em prática será o desafio de Alemão.

Na Série A, enquanto eu escrevia, o Santos vencia o Vasco no Pacaembu com marcação no campo de ataque e uma velocidade que deixa até torcedor sedentário cansado. O volume de jogo do Peixe impressiona, principalmente pela limitação do elenco. O alvinegro praiano perdeu grandes nomes dentro das quatro linhas, mas ganhou um craque fora do campo. Apesar do vexame na Copa do Mundo de 2018 e de não ter uma sequência no futebol europeu, o argentino Jorge Sampaoli já mostrou que sabe muito mais de bola do que os retranqueiros brasileiros.

Neste assunto, eu concordo plenamente com o treinador Alemão. Prefiro ver um time que joga pra frente. A diversão e beleza do futebol bem jogado, tão raros no Brasil, são os únicos meios para alegrar os torcedores e os amantes da bola. A consequência pode ser o resultado. No futebol, os fins não justificam os meios.

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