Numa época em que no noticiário esportivo a gente escuta falar mais em dinheiro do que em questões do esporte propriamente dito, uma cena marcou o final de semana, emocionou muita gente e fez nos lembrarmos de que o esporte é mais do que as cifras que o envolvem: o choro do mito Roger Federer ao conquistar na Austrália seu 20º Grand Slam na monstruosa carreira. Sim, meus amigos, o cara já ganhou tudo o que você puder imaginar, está com a vida financeira dele, dos filhos e dos netos resolvida e, mesmo assim, se emociona, se esforça, se dedica, se doa e faz questão de ser exemplo.

Federer tem 36 anos e passou este último respondendo quando iria pendurar as raquetes. Por mais que muita gente queira aposentá-lo, ele mantém não só a competitividade, mas a classe. A cada título levantado ultimamente, principalmente no futebol, os campeões deixam de lado a comemoração, a exaltação da conquista e o papel de inspirador para uma nova geração para mandar um "chupa" aos críticos, aos que "não acreditaram", aos que "secaram". É a geração mimimi, que se acha acima do bem e do mal, mimada por empresários e dirigentes. Federer, não. Deixou o cala-boca a quem queria aposentá-lo em casa e preferiu as lágrimas, o agradecimento, o reconhecimento do trabalho de sua equipe neste "conto de fadas", como definiu a conquista.

Federer não precisa provar nada a ninguém. É uma lenda viva do esporte. Suas lágrimas deixam um recado, uma lição nestes tempos de amores passageiros e descartáveis, seja esse amor por outra pessoa, seja amor pelo que se faz. Você é do tamanho da sua dedicação, você é o seu limite, você não tem que fazer nada para calar alguém, mas sim para se realizar, para deixar quem você ama e quem está contigo realizado. Deixa o recado de que o esporte é mais do que dinheiro, do que ego.

Federer é um dos maiores atletas de todos os tempos, independentemente da modalidade. Um cara que une técnica, talento, longevidade, espírito esportivo, dedicação, amor ao esporte, respeito aos fãs e adversários, um cara que não se cansa de bater recordes. Somos sortudos por podermos vivenciar a história desse monstro ser escrita.

Obrigado, Federer!

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