O fetiche do planejamento
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de julho de 2018
Fábio Galão<br>[email protected] 
As palavras "planejamento" e "projeto" se tornaram fetiches no futebol brasileiro a partir dos anos 1990, época em que os grandes clubes deixaram de achar bonito colocar o time principal para treinar no próprio estádio ou no campo da sede social e passaram a construir modernos CTs. A ideia fixa virou obsessão depois do 7 a 1, quando ficou claro que nosso futebol estava à deriva.
Nas redes sociais e seções de comentários dos sites de notícias, balanço financeiro do clube, estádio e centro de treinamento se tornaram motivos para trocas de provocações quase tão importantes quanto os resultados dentro de campo. Mas, como quase tudo que acontece no Brasil, esse planejamento todo costuma ser da boca para fora. Os cartolas continuam fazendo as trapalhadas de sempre, mas agora com verniz de modernidade.
Em Londrina, "planejamento" e "projeto" só se tornaram termos comuns no futebol quando a SM Sports chegou ao LEC, em 2011. De lá para cá, a empresa estabeleceu metas como se calculasse o número de salsichas a sair de uma linha de produção: voltar à primeira divisão do Campeonato Paranaense, depois disputar alguma divisão do Brasileiro, subir para a Série C, para a Série B...
Sérgio Malucelli abriu o ano dizendo que o objetivo era chegar à Série A, mas não tem sido nada disso. O planejamento da SM é o de sempre e bateu no teto ou mudou para pior? Sou mais da primeira opção. O torcedor lembra de Danilo, Bruno Henrique, Arthur Caike, Joel, Vitor, Zé Rafael, Jonatas Belusso, Artur e Carlos Henrique para criticar o elenco atual, sem dúvida o pior desde que o Londrina voltou à Série B, mas convenientemente se esquece de que ele foi montado da mesma forma que nos anos anteriores: dando últimas chances para ex-jogadores em atividade, apostando em revelações de times menores que o próprio LEC e pegando emprestados atletas encostados em times maiores. Para cada Zé Rafael que veio nos outros anos, vieram vários Celsinho, Thiago Santos, Raul, Rodriguinho, Ícaro, Edmar, Brandão, Thiago Lopes...
A questão é que o acerto este ano está bem menor: de 30 contratações, só acertar uma em cheio (Dagoberto) é muito grave. Nem Tencati faria o time atual render mais. E a utilização da base, como Fiori Luiz lembrou na FOLHA na semana passada, está muito aquém de outros anos.


