O Londrina não vai cair porque eu não quero. Calma, não é a intenção parecer demasiadamente presunçoso nem adotar um tom autoritário que anda muito em voga em Brasília nos últimos 10 meses. A frase me veio à cabeça inspirada pelo que disse Caetano Veloso lá em meados dos anos 90, portanto já depois dos tempos sombrios da ditadura militar e bem antes da atual era de extrema intolerância ideológica por que passamos, que “o Brasil vai dar certo porque eu quero.”

O mestre baiano, obviamente, quis passar a mensagem de que com o comprometimento de cada um de nós seria possível fazer o país, enfim, dar certo como nação.

Trazendo essa reflexão para o momento delicado do Londrina na Série B, é claro que o desempenho do time dentro de campo em nada depende do comportamento do torcedor fora dele. Torcida não ganha jogo, o máximo que pode fazer é incentivar o time a querer fazer o correto para se chegar a uma vitória.

De qualquer forma, apesar de considerar o elenco muito, mas muito abaixo do nível técnico dos Londrinas de 2018, 2017 e 2016 - embora até e metade do campeonato o gestor vendesse a ideia de que tínhamos time para brigar pelo acesso -, ainda acho que há outras equipes piores e, portanto, mais capacitadas para “conseguir” o rebaixamento.

A lição que fica da campanha do Londrina neste ano, uma vez confirmada a permanência na Série B, é aquela que ainda não foi aprendida por aqui: sem planejamento, a coisa não anda. O clube paga por se desfazer dos melhores jogadores no meio do campeonato sem que haja reposição à altura.

Sobre a polêmica entrevista que Sérgio Malucelli concedeu após a derrota para o Operário, sábado retrasado, e que viralizou rapidamente nas redes sociais, o esculacho veio tarde demais. O gestor sabia que não teria como cumprir com a promessa de mandar um monte de gente embora porque a janela de contratações já estava encerrada. Pareceu mais uma tentativa midiática de mexer com o brio dos jogadores. Tanto que o Mazola Júnior, que deveria ser o primeiro a questionar o patrão por ter chamado os caras de porcarias e ter dito que só um milagre evitaria o rebaixamento, considerou o desabafo “natural”.

Bora Baea

O clube a ser copiado no Brasil, hoje, não é o virtual campeão Flamengo, mas o Bahia, cujo engajamento social e o recente discurso contra o racismo de seu treinador são um sopro de senso crítico e lucidez num ambiente geralmente relacionado à alienação. Boa semana.

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