Na guerra da Série B, Londrina e os soldados que não atiram
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segunda-feira, 28 de outubro de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 
Se o leitor já assistiu filmes referentes à 2ª Guerra Mundial, se lembra daquela cena de desembarque na Normandia, litoral da França, em que as tropas aliadas foram recebidas à bala pelo exército nazista, conhecido como “Dia D”. Muitos soldados morreram antes mesmo de colocar os pés na praia, sem tempo de reagir. No “jogo D”, como se referiu o técnico Mazola contra o Oeste, o Tubarão foi fuzilado antes mesmo de fincar os pés em terra firme. Agora, estamos nos arrastando na praia da série B.
Impressionante como na horas decisivas - os dias D do futebol - o Londrina Esporte Clube tem se comportado como aquele soldado medroso, que se esconde atrás do arbusto torcendo para a tropa inimiga não atacar.Não se posiciona, não chuta ao gol, não tem ímpeto para sobreviver. No último jogo no Estádio do Café, contra adversário direto pelo descenso, o LEC chegou a ter apenas 30% da posse de bola, sem contar a falta de vibração para atacar o adversário. Sabemos que as armas técnicas do Tuba são fracas, mas pelo menos um tiro de espingarda dá pra dar de vez em quando contra o gol adversário.
Na rádio, até semana passada, o apresentador Rodrigo Linhares, da Paiquerê, bradava a campanha com convicção: “Série C? Nem a pau!”. Dentro do carro escutando, antes da partida contra o Oeste, comprei a ideia. Mazola também estava nessa pegada, mas se abateu depois do “jogo D”. Pediu desculpas ao torcedor e admitiu jogos bem mais difíceis agora para a sequência. Percebeu o abate na sua tropa e que as estratégias não estão funcionando. O slogan não é mais certeza pra ninguém.
Mas na guerra para se manter na B, amigo, não dão dá tempo de lamentar as baixas. Hoje todos nós estamos abatidos, sangrando, mas já tem jogo contra o Paraná nesta segunda (28) e depois, Atlético Goianiense, ambos fora de casa. Não dá pra negar: até o final do campeonato, agora são todos “jogos D”. Cabe saber é se os jogadores vão abraçar a causa, ou sobrará para o torcedor chorar o luto de soldados que não sabem guerrear.


