Liderança que significa muito
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segunda-feira, 20 de maio de 2019
Thiago Mossini - Grupo Folha 
Claro que ainda é muito cedo. Foram só quatro rodadas na Série B do Campeonato Brasileiro. Mas ver o Londrina na ponta de cima do torneio é animador e pode significar muito para a sequência da temporada.
O Londrina chegou à liderança vencendo um adversário tradicional fora de casa, o CRB, empatando com o Coritiba, no Couto Pereira, onde geralmente pipoca, e vencendo o Bragantino, o novo rico e apontado por muitos como o dono de uma das vagas do acesso. A única vitória contra um adversário mais fraco foi sobre o Brasil-RS, que perdeu seus quatro jogos.
O futebol, diferentemente das outras modalidades, nem sempre o mais rico ou o melhor elenco vence. Durante um campeonato, muitos fatores influenciam o desempenho da equipe e o ambiente é um dos principais. Pelo que parece, o ambiente no Londrina nunca foi tão bom nestes anos de gestão da SM Sports como é agora. Isso pesa na hora de compensar o menor investimento feito na montagem da equipe, que deve ter umas das folhas salariais mais baixas da Série B. Soma-se a isso a vontade de vencer na vida de vários dos garotos que subiram da base e do próprio técnico Alemão, que tem sua primeira grande oportunidade na carreira e precisa “acertar a mão” para vê-la decolar e poder se consolidar como treinador.
O desafio, agora, é não desmanchar a equipe. É o penúltimo ano de SM no Londrina e, certamente, não haverá tantas ponderações quando as propostas começarem a aparecer. É hora também de a direção do Londrina fazer jogo duro e tentar segurar as revelações até o fim da temporada ao menos. O elenco já é pequeno, perder peças seria uma tragédia.
Os bons resultados do Londrina, a exemplo de outros clubes que buscaram na base jogadores para se reinventarem, como São Paulo e Fluminense, mostra que é possível gastar menos e ter qualidade. Os clubes brasileiros precisam olhar com mais carinho para suas crias.
Torcida
A situação atual do Londrina exige uma mudança na política de relacionamentos com o torcedor. É melhor, na conjuntura atual, ter dez mil pessoas no estádio do Café e não ter lucro da bilheteria, mas embalar a equipe, do que ter mil pessoas, continuar sem lucro e ver os jogadores atuando com o desânimo que um estádio vazio passa. A promoção realizada no último jogo foi excelente e espero que seja mantida ou, no mínimo, que se coloque em prática alguma outra no intuito de levar para o Café os torcedores “raízes”, os “modinhas”, os que “torcem para dois times”, os que só “vão na boa” e os que não vão “porque o ingresso é caro”.


