Londrina 1 x 3 FC Cascavel. Independentemente do resultado, que a essa altura do campeonato ainda não permite vislumbrar o destino do LEC no Paranaense, o que me chama a atenção é o calendário absurdo que o time terá pela frente até o fim do primeiro turno do Estadual, a Taça Barcímio Sicupira Júnior (legal e justa a homenagem, FPF, mas sabia que no interior do Paraná também teve muito craque digno de ter seu nome escrito na parte de baixo de caneco? Que tal uma Taça Tião Abatiá e outra Neneca no ano que vem?). O jogo contra a Cobra amarela e preta (a azul e vermelha tinha ficado pelo caminho) foi o terceiro do Londrina em uma semana. Contando os três compromissos restantes para o fim do turno mais o confronto com o Americano-RJ pela Copa do Brasil, o Tubarão terá disputado sete partidas em três semanas.

A culpa, dizem as federações, é da Copa América, que vai paralisar o calendário do futebol brasileiro no meio do ano e reduzir datas das competições estaduais, nacionais e continentais. Não teria sido o caso, então, de adotar fórmulas de disputa que exigissem menos datas? "Ah, mas o Estatuto do Torcedor diz que uma fórmula de disputa tem que ser adotada por dois anos seguidos antes de ser mudada, e o formato atual do Paranaense começou em 2018." Mas já se sabia há anos que o Brasil sediaria a Copa América de 2019. Uma fórmula mais enxuta (a atual exige 17 datas) não poderia ter sido usada já desde o ano passado?

Além do imenso desgaste de sete partidas em três semanas, a maratona pode arruinar uma temporada inteira. Qualquer preparador físico vai dizer que tirar um elenco de uma pré-temporada de apenas duas semanas e meia e jogá-lo de cara num turbilhão de jogos todo domingo e quarta-feira não é muito inteligente. Além do risco de lesões pela falta de ritmo, a carência de entrosamento também pode jogar um trabalho promissor (como acho que o técnico Alemão está fazendo no Londrina "alternativo") no lixo se a sequência absurda de compromissos tiver maus resultados (como a derrota deste domingo) - aceitáveis em início de temporada, mas no futebol brasileiro a falta de paciência é padrão.

A discussão do calendário já virou clichê, mas precisa ser martelada até que se resolva o problema. As federações nem disfarçam mais com o discurso de que os Estaduais são necessários porque alimentam o futebol do interior, revelam jogadores etc: estão colocando partidas para serem disputadas em horários bizarros, como 10 horas da manhã de sábado e 17 horas de dia útil. Ou seja, está escancarado o desprezo por times e torcedores - o importante é rechear a grade de programação da TV, que paga a conta desses espetáculos deficitários de futebol ruim de doer. Espero que o Londrina consiga sobreviver à maratona e que esse início de ano frenético renda frutos para a Série B - que desde já é a maior preocupação de torcida e clube.

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