Futebol e emoção
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de setembro de 2017
Rafael Fantin<br>[email protected] 
Jornalista é jornalista 24 horas por dia. Em casa, fica pensando em títulos, fotos e como abordar a derrota ou a vitória na produção da matéria esportiva. Passa a semana toda procurando o que escrever na coluna ou no blog em um exercício mental sem fim, que as vezes, invade até as altas horas da madrugada. Mas, tem dias que o imponderável pede passagem. Diante dos olhos, um acontecimento épico que entra para história. Todo controle e planejamento caem quando algo tão arrebatador acontece em um dia de domingo.
Como não escrever sobre a classificação histórica do Tubarão, que chega à final da Primeira Liga e retorna à Série B do Brasileiro com a motivação lá em cima depois da eliminação improvável do Cruzeiro, que abriu 2 a 0, mas não suportou a pressão de um caldeirão de 17 mil torcedores no estádio do Café. A reação alviceleste é um daqueles jogos que o torcedor lembrará, sempre, e contará aos amigos que estava lá. Azar de quem foi embora mais cedo e perdeu o final.
O futebol vai além da tática. O Londrina entrou com três volantes (tem que manter esse esquema), sofreu um gol de cabeça, mas criou boas oportunidades no primeiro tempo. Para a etapa complementar, a equipe voltou mais aberta e tomou o segundo gol. No entanto, a atmosfera era especial. A sintonia entre arquibancada e o time era tão grande, que a torcida não reclamou como outras vezes. Ao contrário, o bom futebol do LEC mostrava que um milagre era possível. O Tubarão jogou como o time grande, enquanto o gigante Cruzeiro se comportava como uma equipe pequena. O mineiro apelou para a "cera" e foi castigado no fim.
A sorte alviceleste mudou quando o técnico Claudio Tencati chamou o atacante Safira, tão questionado pela imprensa e pela torcida em outros momentos. A pressão no caldeirão só aumentava e o Café explodiu após o gol de cabeça de Safira e o pênalti sofrido pelo jovem atleta. Na decisão, César foi responsável por escrever a história de um jogo impossível de se contar. Toda razão foi só emoção no Café.
Pensei a semana toda em escrever sobre a Primeira Liga, Bom Senso e a necessidade de oposição à CBF. Mas, saí rendido do estádio sem forças para lutar contra o fato, contra a história de uma equipe que derrubou dois favoritos na mesma semana e volta a frequentar uma decisão de um torneio nacional. Apesar do favoritismo do Galo, alguém duvida que o Tubarão pode ser campeão?


