Fim de uma era
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de julho de 2018
Fábio Galão 
Em 2048, vai ter dificuldades quem tiver que explicar para uma criança como os jogadores que monopolizaram as eleições para melhor jogador do mundo entre 2008 e 2017, com cinco troféus cada, nunca conseguiram brilhar numa Copa.
Cristiano Ronaldo e Messi provavelmente encerraram sua história em Mundiais com as eliminações de Portugal e Argentina no sábado (30), já que, com respectivamente 33 e 31 anos, é difícil de acreditar que ainda joguem daqui a quatro anos no Catar. As intermináveis discussões sobre quem é o melhor entre os dois poderiam ter acabado com um último capítulo épico, um enfrentando ou outro em uma Copa, mas Uruguai e França não permitiram.
Ao longo da história do futebol, tivemos vários momentos em que um jogador reinou indiscutivelmente como o melhor do planeta: Di Stéfano nos anos 1950, Pelé nos 60, Cruyff nos 70, Maradona nos 80. Mas nunca havia acontecido de dois se destacarem ao mesmo tempo tão acima dos demais.
Antes da era Messi-CR7, o mais perto disso havia sido entre 1996 e 2003, quando Ronaldo e Zidane ganharam três vezes cada o prêmio de melhor do mundo. Mas nunca foi possível enxergar uma polarização clara entre o brasileiro e o francês, pelas posições e características diferentes e também porque o Fenômeno ficou boa parte desse período afastado por lesões. A ponto de dois "penetras" serem eleitos nessa época, Rivaldo em 1999 e Figo em 2001.
Mas Zidane e Ronaldo foram campeões em Copas e decisivos em finalíssimas, enquanto o argentino e o português nunca marcaram gols em mata-matas de Mundiais não serve a desculpa oficial de que foram escudados por times medíocres (no caso de Cristiano) ou desorganizados (situação de Messi). E se outros craques históricos também não foram campeões (Puskas, Cruyff, Zico), ao menos fizeram grandes Copas.
Das duas, uma: Messi e Cristiano Ronaldo entram para a história com um gigantesco "mas" no currículo ou o crescimento da importância do futebol de clubes, cada vez mais interessante do que o futebol de seleções, atenua essa lacuna na carreira dos dois gênios.
Fábio Galão
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