De casa
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domingo, 01 de outubro de 2017
Diego Prazeres 
VALE MUITO
A sapecada que o Londrina levou do Oeste no início da última semana marcou talvez o período digamos mais turbulento que o time do Tencati viveu nesta Série B. Acho que até neste ano. Foi o terceiro jogo sem vitória e a quinta derrota seguida fora de casa, apenas alguns dias depois do acertado, merecido e tardio afastamento dos jogadores (de pôquer) Celsinho e Rafael Gava. Afastamento que, espero, seja mantido. Vi reações indignadas de torcedores aos 4 a 1 em Barueri, como se o placar sacramentasse um destino trágico para o Tubarão na competição. Até porque reapareceram os fantasmas que vêm rondando a equipe desde o começo do campeonato, como a fragilidade da defesa, a mais vazada da Série B, e a falta de um elenco mais robusto.
Mas aí, como na vida, nada como um dia após o outro. Veio outro 4 a 1, dessa vez a favor, contra o fraco CRB, e os ares mudaram. Não que o time se transformasse em algo que dificilmente virá a ser, mas a vitória já serve para elevar a autoestima num momento crucial: a final da Primeira Liga, depois de amanhã, contra o Atlético-MG de Vítor, Robinho, Fred e companhia. Uma importante competição desimportante. Como já escrevi aqui, vale demais o título. Se Fluminense e Cruzeiro, eliminados pelo Tubarão no meio do caminho, não deram à mínima para esse torneio que nem a desmoralizada CBF reconhece, problema é deles. Certamente o Galo, que ainda não ganhou nada neste ano, patina no Brasileiro e ainda acaba de ver o seu arquirrival erguer a Copa do Brasil pela quinta vez, virá babando. E ganhar um título nacional é tudo o que o Londrina precisa para alcançar uma projeção que a permanência na Série B por mais um ano já vem lhe dando.
O ENXUGADOR DE GELO
Juca Kfouri, o maior de nossa espécie ainda vivo, está lançando seu quinto livro, "Confesso que perdi" (uma brincadeira com a célebre autobiografia de Pablo Neruda, "Confesso que vivi"). São memórias do que ele viveu em quase meio século de uma carreira pautada pelo incansável trabalho de enxugar gelo, ou seja, combater o que há de mais nefasto no futebol brasileiro, embora aborde também momentos importantes que testemunhou na política e na cultura do país. Quando veio a Londrina para uma palestra promovida pela rádio CBN o jornalista disse em entrevista coletiva que o melhor de sua cruzada inútil, entre outras coisas, é manter a dignidade e credibilidade intactas. E exemplificou: "nunca vou receber uma ligação do presidente da CBF me dando em primeira mão o nome do novo técnico da seleção. Mas sei que quando sair mais uma decisão judicial contra ele por improbidade administrativa é a mim que o Ministério Público vai informar primeiro." Boa semana.
Diego Prazeres
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