ÉPICO

Ainda que o Londrina continue judiando da torcida no Estádio do Café. Ainda que o Londrina, valha-me Deus, desande no segundo turno a ponto de meramente brigar para não cair em vez de lutar para subir.

Ainda que o Londrina seja errante como um jovem talentoso que põe tudo a perder por caprichos, deslizes, auto-boicote, a vitória de anteontem sobre o Guarani está destinada à eternidade.
É daquelas que resistirão a tudo. Implicantes, reticentes, indiferentes hão de lembrar dela. O time que vira pouco promoveu uma virada épica em Campinas. Faça o que fizer daqui pra frente, o Londrina tem mais um jogo histórico para chamar de seu na conturbada era tencatiana.

SEGUNDA IMPRESSÃO

A morte repentina do ex-goleiro Waldir Peres, semana passada, me trouxe à lembrança uma situação insólita que eu tive com ele aqui em Londrina dois anos depois da Copa de 1982. Copa a qual, infelizmente, meus quatro anos de idade não me permitiram assistir.

De modo que quando vi ao vivo o Waldir Peres em 1984 em um torneio quadrangular no Estádio do Café com Londrina, o extinto Café, São Paulo e Palmeiras, não era ele para mim o goleiro da mítica seleção de 82. Era apenas um goleiro que pela calvície lembrava o meu pai.

O jogo entre Palmeiras e São Paulo, válido pela final daquele quadrangular, talvez seja a primeira memória afetiva que eu tenho como torcedor de futebol. Foi minha primeira vez em um estádio, com seis anos.

O Palmeiras acabou vencendo não lembro se por 2 a 1 ou 1 a 0, e o que me marcou profundamente foi o gol olímpico do Jorginho no Waldir. Julguei inconcebível um goleiro levar um gol olímpico.
Do dia seguinte ao jogo, meu pai, são-paulino, levou a mim e meu irmão mais velho ao Hotel do Lago, onde as duas delegações estavam hospedadas, para que conhecêssemos os jogadores. No hall, jogadores dos dois times conviviam harmoniosamente.

Meu pai se aproxima de Waldir Peres, que certamente para ele era muito mais do que o goleiro que havia levado o gol olímpico na véspera, e me apresenta a ele. O gol fora fato irrelevante. Não para mim. Olho para o camisa 1 da seleção de 82 (!) e não me contenho: "seu frangueiro". Geral em volta riu à beça, e o Jorginho, que também estava por ali, ainda zoou: "Ê Waldir, melhor ouvir isso que ser surdo hein".

Felizmente, o tempo tratou de desfazer aquela primeira impressão. Waldir Peres, nem que eu não quisesse, é um dos grandes de todos os tempos.

O colunista entra em férias e retorna no próximo mês. Aproveite. Boa semana.

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