De casa
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de junho de 2017
Rafael Fantin 
Desequilíbrio na prancheta
A minha estreia oficial no jornalismo esportivo aconteceu no dia 28 de agosto de 2005, quando o Paraná Clube enfrentou o São Paulo, no Willie Davids, em Maringá, pelo Brasileirão.
Na coletiva, após 4 a 0 para o campeão da Libertadores daquele ano, o "foca" tenta impressionar o treinador são-paulino depois das perguntas de sempre: "Você escalou dois zagueiros em vez dos três da campanha da Libertadores. O time está mais ofensivo?". "Não. Está mais equilibrado", respondeu Paulo Autuori com aquela calma e paciência.
Hoje, o Londrina sofre quando joga no Café pelo desequilíbrio. Fora de casa, o Tubarão se defende no 4-1-4-1, que se transforma em um bom 4-3-3 com a bola no pé. Desta linha de quatro no meio, surgem os jogadores de beiradas, principalmente o craque Artur. Atrás dele, o futebol de Celsinho aparece com espaço para suas assistências. Lá na frente, Belusso tem a frieza do artilheiro para balançar as redes.
Voltamos para o Café e a engrenagem que funciona longe de Londrina trava dentro de casa. Destruir e contra-atacar não são suficientes, já que a proposta do mandante é criação e construção. O feitiço virou contra o feiticeiro. O camisa 10 apagado entre os volantes toca para trás, os jogadores de lado são marcados e caem pelo meio e a bola não chega para o centroavante. O contra-ataque encontra uma equipe desorganizada, sem força para recomposição defensiva. Resultado: gol do visitante. Foi assim no Arruda e no Rei Pelé para o bem do LEC. É assim no Café para o desespero da torcida alviceleste.
Para tornar o time mais equilibrado em casa, o Londrina poderia entrar em campo com o volante Ícaro para ajudar na cobertura dos laterais e liberar Reginaldo e Ayrton, que são muito eficazes quando vão até a linha de fundo e tocam a bola para o meio da área do adversário. No ataque, Ícaro pode jogar como primeiro volante, soltando as amarras de Jardel e até do capitão Germano. Para se defender, ele atuaria como terceiro zagueiro. Quem sai do time? Marcinho, e o LEC passa a atacar com a dupla dinâmica Artur e Belusso, com Celsinho na armação. Diminui um pouco o poder de criação, mas também cai o risco de erro. Essa é a realidade da Série B.
O próximo compromisso em casa é só no dia 11, contra o ABC. Até lá, o treinador Claudio Tencati terá um tempo para quebrar a cabeça em como o time pode acabar com a "zica" no Café. Antes disso, duas partidas, fora, contra Figueirense e Paysandu. Acredito em dois bons resultados apesar dos desfalques. Aliás, é evidente que o LEC precisa de novas opções no banco para mudar o panorama das partidas. Boa semana e bom jogo, amanhã, em Floripa.
Rafael Fantin
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