A história em boas mãos

Então é Natal. E o Londrina nos dá de presente um memorial para chamar de seu. De nosso. Ainda que a letra do hino do Tubarão defenda o ideal de vitória como o que importa, e não a vitória propriamente, já era mais do que hora do clube aprender a valorizar a sua história, as suas conquistas.
Nos meus tempos de setorista, dava pena, angústia, inconformismo ver a situação em que se encontravam os principais troféus do clube. Largados como se largam cacarecos, entulhos, quinquilharias. Como o operário do Chico que morreu na contramão atrapalhando o tráfego. Como que punidos por subverterem a lógica do Londrina perdedor, do Londrina que não nasceu para dar certo.
E o melhor de tudo é que o memorial vai ficar embaixo das arquibancadas do VGD, onde funciona a sede administrativa, completamente reformulada, em um espaço adequado para acolher o passado do Tubarão. Não apenas os troféus estarão a salvo, mas também todo o material que faça o londrinista de ontem e o londrinista de hoje refletirem por que é que esse clube de futebol é um patrimônio cultural da cidade. E contar isso aos londrinistas que virão.
Talvez seja esse o maior legado que o presidente Felipe Prochet deixe em seu mandato. Mandato que termina hoje, quando Claudio Canuto volta a assumir a presidência, como bem queria o Sérgio Malucelli.
Outro legado que espero que se conclua é a instalação da loja oficial do LEC também ali no VGD. A chegada dessa loja representa também um cuidado maior com as receitas do clube, com os repasses advindos do direito de exploração da marca Londrina Esporte Clube. Afinal, é o clube, mais do que ninguém, quem deve faturar com as vendas dos produtos licenciados do próprio clube. Óbvio ululante.
Em relação à volta do Canuto, nenhuma objeção desde que seja de fato e na prática o presidente do Londrina. A renovação do contrato com a SM por mais dez anos era algo inevitável, uma vez que o clube, infelizmente, ainda não tem condições de caminhar sozinho. É preciso acelerar isso.
No mais, que 2017 reserve coisas boas para o nosso futebol, já que 2016 termina com aquela sensação de nó na garganta, de peito machucado pela tragédia que não é só da Chapecoense e dos familiares dos jogadores e jornalistas presentes no voo. Essa tragédia é nossa. Boa semana. E um abençoado ano que vem.

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