Quem acompanha o futebol sem a paixão de torcedor, mas com a frieza da realidade, sempre teve em mente que o grande desafio do Londrina no retorno à Série B do Campeonato Brasileiro após mais de uma década jogado ao limbo do futebol era – e continua sendo – o de se manter na competição para a temporada seguinte. A receita e, consequentemente, os investimentos, eram muito menores do que muitos dos adversários. Porém, o futebol, mais do que qualquer outro esporte, não é lógico e permite que as previsões sejam limadas. Que o digam Leicester, Islândia, País de Gales, Chapecoense... E estas 14 rodadas da Série B já mostraram que não dá para apontar os favoritos para nenhuma das duas pontas da tabela.
E isso inclui o Tubarão. Mesmo com uma campanha de 48% de aproveitamento (5 vitórias, 5 empates e 4 derrotas), o Londrina está apenas oito pontos atrás do Vasco, tido como o bicho-papão, que veio ao Café e sofreu para vencer. São só cinco pontinhos atrás do CRB, o quarto.
Já dizia o samba enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel de 1992, "Sonhar não custa nada", "não se paga para sonhar". E o perde e ganha que é a Série B faz o torcedor alviceleste sonhar com o acesso. Por que não? O time vem jogando bem, criando inúmeras oportunidades, mostrando que tem qualidade. Mas aí vem um dos principais motivos de estar fora do G4, mesmo com tanta instabilidade dos rivais: a precisão, seja ela defensiva ou ofensiva, como bem frisou Tencati após o empate de sexta-feira, quando o time não venceu porque falhou na frente, ao não fazer o gol nas claras chances que teve, e falhou atrás, com um pênalti infantil e uma falha na saída de bola e outra na marcação no gol de empate do Criciúma.
O time vem deixando de vencer e de somar pontos por causa destes erros. Seja por questões psicológicas ou técnicas, eles precisam ser eliminados e nada melhor do que esta semana cheia de treinamentos para trabalhar isso.
No ataque, por mais que Keirrison tenha perdido dois gols feitos nos últimos jogos, gostaria de vê-lo atuando ao lado de Itamar. Além da qualidade dos dois, o currículo de ambos impõe respeito aos rivais. Mas e a recomposição na marcação? Aí é com o treinador resolver este problema. O que não dá é para ter dois "bois bravos" correndo com a bola de cabeça baixa até perdê-la.

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