De casa - Reencontro frustrante
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de maio de 2018
Diego Prazeres 
Se o encontro é uma arte que dá sentido à vida, como já definiu Vinícius de Moraes, o que dizer de um reencontro? Geralmente marcado por um hiato de tempo que pode durar dias, semanas, meses, anos, o reencontro talvez seja ainda mais cercado de significados do que propriamente um encontro, talvez pelo fato de que há haja um histórico que une os personagens. Na última sexta-feira à noite, os jogadores que defenderam o Londrina nos últimos anos e que continuam no clube e o técnico Cláudio Tencati viveram essa experiência. De certa forma, os torcedores do Tubarão também.
Há um elo forte entre as duas partes. Em entrevista à FOLHA às vésperas do jogo contra o Atlético-GO, Tencati, agora do lado de lá, reconheceu que o reencontro seria para ele especial, a ponto de não conseguir antecipar que sentimento o acometeria até a bola começar a rolar em Goiânia. À imprensa goiana, o treinador mais longevo da história do Londrina disse que o reencontro, ainda que carregado de emoções, seria encarado com muito profissionalismo, tanto que se seu time fizesse um gol, ele comemoraria com gosto. Como todos sabem, nem foi preciso. As redes não balançaram.
Pena que um jogo tão simbólico para o Londrina e para o seu ex-treinador tenha sido tão pobre na técnica. Me assustei com o nível do Atlético-GO, mais até com o que o Tubarão deixou de fazer. Esperava mais do Dragão. Nem mesmo a organização tática, talvez a maior marca do Tencati por aqui, se apresentou. E aí que o empate acabou não sendo um bom resultado para o Londrina, que, mesmo também tendo jogado uma bolinha limitada, teve as melhores chances de liquidar o jogo. A melhor delas com o Dalberto, que apesar de tão perto do Dagoberto na pronúncia do nome, está longe, muito longe da qualidade do veterano atacante.
É sabido que os times treinados por Marquinhos Santos nunca tiveram a eficiência ofensiva como maior virtude. Apesar de jovem, o treinador tem um estilo bastante conservador na montagem de suas equipes. Tanto que não chega a surpreender o fato de o Londrina ter concluído a quinta rodada com o segundo pior ataque desta Série B, com apenas três gols marcados, à frente só do Boa Esporte, o lanterna. O próprio Marquinhos já disse em entrevistas que vai priorizar estruturar o sistema defensivo, por sinal, o melhor da competição, junto com o do vice-líder Vila Nova, vazado duas vezes.
Desconfio, porém, que falta mais qualidade nas peças ofensivas da equipe, o que pode dificultar o trabalho do treinador. Claro que se Keirrison e Dagoberto estivessem 100%, a conversa seria outra. Até aqui, a campanha do Londrina está condizente, acho, com o padrão do elenco.
Assisti a boa parte do jogo entre Fortaleza e Goiás, sábado, e fica uma constatação, goste ou não de Rogério Ceni: o time dele está bem acima dos demais. Pelo menos por enquanto. Também vi alguns lances de CSA x Boa, até para conhecer um pouco do próximo adversário do Tubarão (sábado, no Café). O tal do Didira, que marcou o gol da vitória, é o artilheiro do time alagoano na temporada. Eles têm também o Walter, um atacante da pesada, que entrou durante o jogo. Me chamou a atenção o meia Ferrugem, que fez toda a jogada do gol. Atenção com esse time aí. Boa semana.


