DE CASA - O mimimi está matando o futebol
"Meu time é melhor do que o deles. Nós vamos lá e vamos ganhar lá dentro e deu vou fazer três gols. Aliás, o Fulano, eu aposto que vou meter gol e vamos ganhar e ninguém vai te ver em campo. Pode escolher o prêmio da aposta, porque é você quem vai pagar." Já imaginou, nos tempos atuais, um jogador chegar na entrevista pré-jogo e soltar uma bomba dessas? A diretoria do clube dele vai multá-lo, o técnico pode até barrá-lo, a imprensa vai polemizar e muitos condenar, o rival vai ficar de mimimi. Resumindo para o jogador: ferrou.
Mas quem acompanhou o futebol das décadas de 80 e 90 se acostumou com declarações como esta. Elas apimentavam os jogos, principalmente os clássicos. E as comemorações? Quem não se lembra do Viola imitando porco ou pescando? Romário e Renato Gaúcho com a mão no ouvido ou fazendo sinal de silêncio depois de gols. A dupla, aliás, era uma das melhores no quesito provocação. E as reboladinhas do Edmundo?
Essa época, porém, ficou no passado, num período em que os estádios enchiam e o futebol era paixão. Porém, vieram os chatos e como tem chato nesse mundo hoje em dia, hein? e decidiram deixar o futebol como eles. As entrevistas são mecânicas e ninguém ousa dar uma provocadinha, tudo controlado pelas assessorias de imprensa, que querem escolher até as perguntas que os repórteres devem fazer. Dentro de campo, o jogador não pode nem comemorar um gol mais de forma empolgada que leva cartão. O cara é xingado o jogo inteiro, aí mete uma caixa e não pode mandar o torcedor rival ficar quieto, não pode imitar galinha, porco, bambi, urubu, pescar, etc. Esses dias o Roger Guedes, do Palmeiras, foi expulso por que subiu no alambrado para comemorar um gol com o seu torcedor. É o fim dos tempos.
Um dos poucos que ousam hoje em dia é o volante Felipe Melo. Ah, se houvesse mais jogadores como ele, que tem a consciência de que o futebol está muito chato. "Eu gostava do tempo de Edmundo, Romário... Gente, não vamos deixar o futebol morrer, isso aí é o futebol!" disparou após um clássico contra o Santos.
Boa parte dos jogos no futebol brasileiro hoje dá vontade de chorar de tão fraco e burocrático. Time faz 1 a 0 e joga o resto do jogo se segurando. Pelo menos vamos deixá-lo mais leve, mais irreverente. A audiência na TV e nas arquibancadas reflete essa insatisfação. Alô tiozinhos da CBF e federações: vamos deixar a chatice de lado!
Paranaense
Eu ia escrever sobre a fanfarronice que virou o Paranaense 2017, mas esse povo dos tribunais e da FPF não merece uma linha deste jornal.





