Da longevidade à roda-viva do mercado
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de outubro de 2018
Fábio Galão 
Não parece que foi ontem aquela coletiva do LEC na qual Claudio Tencati confirmou sua saída e o clube apresentou ao mesmo tempo o novo técnico Ricardinho? Pois no mês que vem ela vai completar um ano. Lembro mais uma vez da relação Londrina-Tencati porque, na rodada que passou da Série B, o ex-comandante alviceleste foi demitido do Atlético Goianiense.
Durante os seis anos e meio que Tencati treinou o Tubarão, o LEC foi uma referência do futebol brasileiro. Numa realidade em que é comum um time ter quatro, cinco treinadores diferentes por temporada, havia um clube no interior do Paraná em que o técnico era mantido, mesmo que assombrado vez ou outra por más fases. É claro que era determinante o fato de o tal treinador fazer sempre campanhas consistentes e conquistar títulos. Mas Tencati sobreviveu no Londrina a adversidades que em outros clubes teriam lhe custado o emprego.
Não só pela longevidade, ele mostrou por aqui ser um técnico diferente. Seu amor pelo jogo podia ser medido pela paixão com que se entregava ao trabalho - o que rendeu bate-bocas com o pessoal das cadeiras do Café e até um problema de saúde - e pelas suas coletivas, em que a prolixidade denunciava sua empolgação.
Em 2018, LEC e Tencati, que eram únicos juntos, acabaram se tornando comuns. De um técnico em seis anos e meio, o Londrina passou a ter quatro em menos de 12 meses. Tencati, apresentado à roda-viva do mercado selvagem de treinadores das séries A e B, não resistiu a um jejum de cinco jogos sem vitórias e uma derrota em casa para um time que passou a maior parte do campeonato na ZR. Por ironia, seu ex-clube e o que acaba de demiti-lo estão no momento um atrás do outro na classificação, separados por apenas um ponto.
Não acho que é o caso de conjecturar uma volta de Tencati, até porque Roberto Fonseca merece respeito por ter tirado o time da faixa do descenso e tê-lo colocado na briga pelo acesso, e a tendência é que renove contrato. Mesmo que houvesse a possibilidade, acho que o comandante entre 2011 e 2017 não toparia - não foi por querer voos diferentes (mais altos?) que decidiu sair? Mas a forma como sua demissão do Atlético Goianiense repercutiu em Londrina é um indicativo do quanto sua figura está marcada no imaginário da galera alviceleste - o que só prova sua importância na história do LEC.


