A torcida e o Londrina
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de abril de 2018
Thiago Mossini<br> [email protected] 
O Londrina é um novo clube desde que a intervenção judicial ocorreu e desde que, consequentemente, a SM Sports assumiu a gestão do futebol. Desde então, a parte administrativa teve presidentes sérios, comprometidos com o clube e que tentaram botar ordem na casa, ainda que as três gestões duas de Cláudio Canuto, o atual presidente, e uma de Felipe Prochet estivessem alinhadas e seguindo a cartilha da empresa gestora. Na soma do trabalho, o Londrina ganhou muito administrativamente. Dentro de campo, com bons resultados, acessos, manutenção de treinador por várias temporadas, salários em dia, ótima estrutura de treino, o clube passou a figurar no noticiário como um dos grandes exemplos positivos do futebol brasileiro. Mas entre tudo o que envolve o futebol e que o faz dar certo, o Londrina tanto quem gere o futebol, como quem gere o clube pecou em um quesito: o tratamento ao torcedor. E a conta chegou. O time pode estar bem ou mal, pode empolgar ou não, pode ter promoção, passaporte e o que quer que seja, que são sempre os mil e poucos no estádio.
A relação esfriou, e quando isso ocorre é complicado de esquentar. Precisa de muita força de vontade das duas partes. Ou os dois querem salvar o casamento ou o caminho é o divórcio, fatalmente.
O distanciamento do time em relação ao torcedor foi determinante. Faltaram ações de aproximação, faltou pensar nas novas gerações, faltou abraçar quem veio de outras cidades, outros estados e passou a simpatizar com o Londrina. Faltou "pegada". Ser bonito, somente, não serve para sustentar uma relação. Se a resenha e a pegada não forem boas, esquece. Vai durar uns dias e só.
Outro problema que vejo é a rejeição aos torcedores chamados de mistos. Claro que todo mundo tem o seu time do coração e isso é único. Mas Londrina é uma cidade que tem como característica receber muita, mas muita gente de outros cantos do Brasil, seja para estudar ou trabalhar. Gente que já chega com sua formação de torcedor pronta, mas que ao morar por aqui, passa a simpatizar com o Londrina e acaba virando torcedor do clube. Qual o problema do corintiano que deixou São Paulo para morar em Londrina e resolveu adotar o Tubarão como segundo clube? Esse cara vai ao estádio, vai comprar camisa do LEC, vai ser além de torcedor, consumidor alviceleste. O dinheiro dele vale o mesmo que o do londrinista puro e faz falta ao caixa do clube. Mais do que isso, a voz dele faz falta na arquibancada.


