A RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO
O maior “pecado” do Alemão foi ter colocado o time no G4 cedo demais
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
O maior “pecado” do Alemão foi ter colocado o time no G4 cedo demais
Diego Prazeres - Grupo Folha 
As más línguas me chamam de “tencatista”, certamente pelo fato de eu ter defendido a permanência dele no comando técnico do Londrina durante os seis anos de primeira era. Um exagero, evidente. Até porque a despeito das conquistas e da longevidade do Tencati por aqui, ainda considero Carlos Gainete o melhor treinador que vi passar pelo clube. E vale o parêntese. Com ele, não vieram títulos, mas campanhas dignas como os vice-campeonatos estaduais de 1993 e 1994, em um período de hegemonia do Paraná Clube, e a chegada ao quadrangular final da Série B de 1996, comandando uma das melhores formações da história recente do nosso Tubarão: Robson; Paulinho, Marins, Roberto Fonseca e Roberto; Alexandre, Cuca, Evandro e Nelsinho; Sérgio Araújo e Marcelo Araxá. Foi com Gainete no banco que o Londrina teve também um dos resultados mais contundentes em sua participação na Copa do Brasil: a vitória por 1 a 0 que eliminou o então campeão Internacional em pleno Beira-Rio, em 93. Gol do Aléssio, o auxiliar do Tencati. Fecha parêntese.

Gustavo Oliveira/LEC
Como já escrevi em outras ocasiões, o custo-benefício do Londrina com o Tencati sempre foi favorável. O treinador era barato pelo resultado que dava. Do mesmo modo, Alemão. Certamente por menos ainda, gerava mais. E vai ver esse talvez tenha sido o seu maior “pecado”. Alemão teve o mérito de implantar um estilo de jogo ousado e produtivo que colocou o Londrina no G4 da Série B em tempo recorde e de forma inesperada. O torcedor achou que tínhamos um baita time, o que a sequência dos jogos mostrou ser uma ilusão. Há no elenco jogadores sem a mínima condição de disputar a competição com a intensidade que se exige dela.
Daí eu considerar a saída do treinador mais que um erro, uma injustiça. Ele deveria ser merecedor da mesma tolerância dada ao seu sucessor lá atrás. Mas já que houve a troca, claro que a solução mais óbvia e sensata, dado o custo-benefício, seria trazer de volta o Tencati, que já conhece o patrão, a estrutura e a maioria dos jogadores. A derrota para o São Bento assustou sim. Vi uma defesa em parafuso, cometendo erros primários em jogadas aéreas, e um setor de criação infértil. De positivo mesmo, só a estreia do tal do Junior Pirambu, que sozinho deu muito trabalho no segundo tempo, tendo criado inclusive a jogada do pênalti que converteu. É uma aposta. Não creio que o Tencati terá que reconstruir o time, porque Alemão não deixou terra arrasada. Seu desafio será o de encontrar o tal equilíbrio entre os três setores, ainda mais que a equipe já tem a terceira defesa mais vazada da competição.
DIVIDIDA
Em entrevista concedida ao repórter Vinícius Frigeri, da RPC, no intervalo do jogo de sábado, na saída do gramado, o atacante Safira disse que o treinador havia mostrado em vídeo que a principal jogada do São Bento era a bola aérea (fruto de dois dos quatro gols sofridos na partida), mas que teve jogador brincando no momento da preleção e não prestou atenção. Rapaz...
PONTOS DE VISTA
Os bolsonaristas de Londrina ficaram eufóricos com o fato de o presidente ter dado entrevista em rede nacional vestindo uma camisa do LEC, no último sábado. Consideram um sinal de prestígio da cidade. Já os não devotos do mito sentiram vergonha alheia, e houve até quem sugerisse que o clube pedisse retratação. Boa semana.


