Marta igualou o recorde de Klose de artilharia em Copas do Mundo ao fazer seu 16º gol em Mundiais na partida contra a Austrália na última quinta-feira (13). Na comemoração, mostrou na sua chuteira o símbolo da igualdade de gênero.

A Rainha é inteligente: diante do maior público possível, se há um recado a ser dado, tem que ser claro, inequívoco. E o futebol feminino no Brasil tem na Copa do Mundo da França o maior palanque da sua história, com exposição inédita na TV aberta, cobertura maior e apoio de empresas para que a torcida brasileira acompanhe os jogos da seleção, como a FOLHA mostrou na semana passada. Curiosamente, em um momento em que o time não vinha tão bem, já que acumulava nove derrotas seguidas antes da Copa.

Essa reivindicação por reconhecimento emociona não só por ser justa, mas também porque mostra uma busca coletiva por transformação que não se vê no futebol masculino. Os poucos jogadores que se posicionam contra injustiças como o calendário absurdo, a falta de estrutura e os salários achatados da maioria dos atletas em pouco tempo se tornam párias e são forçados a desistir – vide o Bom Senso FC. Cada um cuida do seu, os outros que se virem. Triste, em um país onde o futebol sempre esteve relacionado a algo mais: vide a decisão histórica do Vasco de aceitar negros no seu time, João Saldanha batendo de frente com a ditadura militar, o apoio de corintianos às Diretas Já.

Não se espera que a diferença de investimento e atenção da mídia que existe entre futebol masculino e feminino diminua tão cedo. As mulheres saíram muito atrás nessa corrida: enquanto a Copa do Mundo masculina tem quase 90 anos, a feminina ainda não completou 30. O que seria do time de Tite hoje se homens tivessem sido proibidos de jogar futebol durante quase 40 anos, como o governo brasileiro fez com as mulheres?

Mas insistir no assunto da igualdade, aliado à melhor estruturação de campeonatos que vem ocorrendo no Brasil, cria esperança de que as coisas possam melhorar. Uma parte da cobertura ainda apela para a condescendência, clichês como “heroínas” e “guerreiras”, mas ninguém está pedindo caridade. São atletas profissionais, que estão oferecendo um produto muito bom: esporte de alto rendimento, jogado com técnica e paixão. Por que demoramos tanto para comprar esse produto? Mais importante: vamos continuar comprando?

Londrina

Dos oito times que o LEC enfrentou antes do recesso da Copa América, quatro (Coritiba, Bragantino, Sport e Ponte Preta) são nítidos candidatos ao acesso, ou seja, em tese, a sequência mais difícil da Série B já passou. O que preocupa é que nas três últimas partidas (Vila Nova, Cuiabá e Ponte) o time não jogou bem.

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