CLÁUDIO HUMBERTO
Eleição na Câmara favorece grupo de Temer
A eleição para presidente da Câmara dos Deputados deve favorecer o governo Temer, independentemente do resultado. O presidente interino acompanha de perto a batalha entre o grupo do centrão e adversários. Os candidatos até agora com as maiores chances de vencer têm aval do governo: Rogério Rosso (PSD-DF) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas Jovair Arantes (PTB-GO) e candidatos do PMDB correm por fora.
Ponta do lápis
O "centrão" (PTB, PRB, PSC, PSD, PR, SD, PEN, PHS, PROS, PSL e PTN) contabiliza 167 votos e foi o grupo que elegeu Eduardo Cunha.
Aliança inusitada
Contra Cunha, PT, PDT, Rede, PCdoB e Psol têm 98 deputados. Para impedir a eleição de aliado de Cunha topam votar até no DEM de Maia.
Ligeira vantagem
Rodrigo Maia conta com apoio na antiga oposição. PPS, DEM, PSDB e PSB somam 120 votos, mas o PSB tem três pré-candidatos próprios.
Fieis da balança
Apesar de integrar o centrão, o PMDB, com 66 deputados, e o PP, com 47, serão os fieis da balança. Os partidos entrarão rachados na eleição.
Governo Temer completa dois meses tímidos
O presidente interino Michel Temer completa nesta terça dois meses de governo. O foco na área econômica mostrou avanços pequenos desde 12 de maio: o dólar caiu 5,4% e a bolsa subiu 1%, mas a principal prova de melhora foi a queda na previsão de inflação para os próximos 12 meses, que passou para 5,83%. Apesar dos resultados positivos, os avanços são tímidos: nos dois meses que antecederam o afastamento de Dilma o dólar caiu 3,4% e a Bolsa subiu impressionantes 6,4%.
Balanço
O governo Temer editou 14 Medidas Provisórias desde 12 de maio e, no mesmo período, enviou uma PEC e 17 projetos de lei ao Congresso.
No Banco Central
Quando Temer assumiu, a previsão era de retração econômica: -3,88% para 2016. Ontem a previsão do PIB melhorou (um pouco) para -3,3%.
Tudo ou nada
Procurados, nem Ministério da Fazenda nem Banco Central se pronunciaram sobre as "conquistas" dos 2 primeiros meses de governo.
Fatura em aberto
Representantes do governo prometem ficar neutros na eleição para presidente da Câmara dos Deputados, mas consideram-se em "dívida" com Rodrigo Maia. É que o deputado do DEM foi preterido na escolha para líder do governo, que acabou com André Moura (PSC-SE).
Canção amiga
Críticos do impeachment, Gilberto Gil e Caetano Veloso serão estrelas da abertura da Olimpíada. "Se foram contratados no governo Dilma, é estranho. Se foi Temer, é burrice", diz Jerônimo Goergen (PP-RS).
Fazendo conta
O deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ironiza a tentativa de Eduardo Cunha de preservar o mandato de deputado . "Dizem que ele não tem nem 50 votos. Eu discordo, deve ter uns 70", diz ele, aos risos.
Prorrogação
Para desespero da classe política, o Ministério Público Federal estuda prorrogar, por mais 90 dias, a Lava Jato. A avaliação é que ainda faltam detalhes investigados pelas delações premiadas mais recentes.
Aversão a Cunha
A ala da bancada do PP contrária à eleição de Rogério Rosso na Câmara considera a candidatura de Rodrigo Maia mais forte. "Há uma aversão a candidatos apoiados por Eduardo Cunha", diz um deputado.
Independência
O deputado Esperidião Amin (PP-SC) não abrirá mão da candidatura para presidente da Câmara. Ele diz ser o único que conseguirá garantir a independência da Casa. Mas são bastante remotas as suas chances.
Senioridade
Pesa contra o Rogério Rosso (PSD-DF), na disputa pelo comando da Câmara, o fato de exercer seu primeiro mandato. É praxe entre os deputados federais eleger presidentes os deputados mais experientes.
Yes, we Câmara
A disputa pelo mandato tampão na presidência da Câmara, com grande número de candidatos e eleições disputadas, levou Carlos Gaguim (PTN-TO) a espalhar "cheerleaders" pela Casa, com direito a posters e slogan (#juntospodemos), para tentar angariar votos.
Pensando bem
Cunha no governo Temer está cada vez mais como Lula no governo Dilma: longe, sem poder, mas acha que manda em tudo.

PODER SEM PUDOR
As fichas da PTpol
Em 1995, Esperidião Amin era o novo presidente do PPB quando contou ao então presidente do PT, José Dirceu, a história de Joca da Penha, prefeito catarinense nos anos 60. Ele tinha problemas nas contas da prefeitura quando alguém foi à sua casa dizer que um incêndio consumia a prefeitura.
- Deixa queimar respondeu Joca, aliviado Ano novo, vida nova...
Depois de contar a história, Amin pediu:
- Faça um favor, Zé: agora que presido o PPB, como ex-chefe da "PTpol" mande queimar as fichas falando mal de mim. Afinal, cargo novo, vida nova.
Dirceu apenas sorriu.
Com Gabriel Garcia, André Brito e Tiago de Vasconcelos
www.diariodopoder.com.br





