CLÁUDIO HUMBERTO
Faltam só 22 deputados para iniciar impeachment
Os líderes de oposição ouviram todos os deputados federais, por meio de questionário preenchido sob garantia de anonimato, e constatou o crescimento do apoio ao impeachment de Dilma. Há poucas semanas eram 255 os deputados que apoiavam, agora são 286. Faltam apenas 22 dos 308 votos necessários para abrir o processo. A pesquisa tem anuência, não a participação, do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Começou a partida
O impeachment teve início com questão de ordem apresentada por Mendonça Filho (DEM-PE), pedindo esclarecimento do procedimento.
Embasamento jurídico
Na quinta-feira, os oposicionistas recebem na Câmara os juristas Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo, para consolidar o pedido de impeachment.
Estratégia
A oposição aguarda nova rodada de pesquisa de popularidade de Dilma para levar a proposta às ruas e abrir o processo.
Batata quente
A situação de Dilma piorou com o "pacote" pífio. O tucano Bruno Araújo (PSDB-PE) observa: "Ela levou a crise para o Palácio do Planalto".
Dilma queria reduzir jornada e salários na Justiça
Quando ainda considerava cortar metade dos terceirizados e fixar meta de redução de 30% dos servidores efetivos, a presidente Dilma fez chegar ao ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal, como se fora um auxiliar, a "recomendação" de criar jornada de seis horas no Judiciário, com redução de adicionais e gratificações e apoio à extinção do direito adquirido no serviço público.
Ok, vou pensar
Fontes do Planalto afirmam que Lewandowski não recebeu bem as "sugestões" de Dilma, mas elegantemente prometeu estudá-las.
Universidades incluídas
O governo estuda uma medida explosiva: implantar nas universidades federais a jornada de seis horas, com redução de gratificações.
Fim da exclusividade
Medida avaliada no governo cancela a "dedicação exclusiva" nas universidades, cortando as respectivas gratificações dos professores.
Porto irregular
O deputado Betinho Gomes (PSDB-PE) pediu a convocação do ministro Aloizio Mercadante para depor na CPI do BNDES sobre a suspeita regularização do porto irregular da Odebrecht em Santos.
Embraport investigado
A força-tarefa da Lava Jato investiga o caso do terminal de contêiner Embraport, construído irregularmente pela Odebrecht em Santos, e regularizado por decreto pela amiga do peito Dilma Rousseff, um mês depois de inaugurado. A iniciativa foi da Polícia Federal.
Trabalho em casa
Dilma está fascinada com a "jornada remota" de servidores, em casa, condicionando gratificações e adicionais ao desempenho. Com isso, as repartições seriam esvaziadas e devolvidos os prédios alugados.
Tamos aí
Ontem, Eduardo Cunha fez questão de manter-se fisicamente próximo ao lançamento do Movimento Parlamentar Pró-Impeachment. Tecnicamente, ele não compareceu ao ato, mas esteve por perto.
Articulação desastrada
Com o "articulador político" trapalhão Aloizio Mercadante ao lado, Dilma nem precisa de oposição. Ele convidou três ex-senadores do Amapá para a comitiva presidencial à inauguração do aeroporto de Macapá, na última sexta-feira. Esqueceu de convidar os atuais. Talvez, nem os conheça.
Anote aí, mané
O líder do PSB no Senado, João Capiberibe (AP), enviou um irônico ofício a Dilma sugerindo que ela mande o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) atualizar sua lista de senadores do Amapá.
Prefeito Tuma
Partidos como PTC tentam convencer o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Jr. a topar a candidatura a prefeito de São Paulo. Antipetista e filho do saudoso senador, Tuma Jr. pensa no assunto.
Continua influente
O ex-secretário da Casa Civil do governo do DF Hélio Doyle foi ouvido nas decisões de corte de Rodrigo Rollemberg. O governador continua dependente da experiência do ex-secretário. E provoca mais ciumeira.
Desmentido categórico
Não é verdade que Dilma foi vista, disfarçada, entre refugiados que tentavam asilo na Europa.






