CLAUDIO HUMBERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de agosto de 2015
Com Luiz Recena, Rodrigo Vilela e Tiago de Vasconcelos<br>www.diariodopoder.com. 
"Continuo."
Vice-presidente Michel Temer (PMDB), sobre sua posição como articulador-geral de Dilma
Impasse provocou a decisão da carta-renúncia
A presidente Dilma passou a trabalhar na minuta da carta-renúncia na terça-feira, ao perceber a incapacidade do governo de impedir derrotas no plenário da Câmara, na "pauta-bomba" e na votação do seu próprio impeachment. A decisão surpreendeu os dois ministros solicitados a ajudá-la no texto, que lhe pediram uma chance de reverter a crise. Chamaram o vice Michel Temer, como sempre. O grupo dividiu tarefas e na quarta-feira iniciou um esforço para tentar reverter o quadro.
Mostrando serviço
Sentindo-se pressionado a mostrar que não conspira pela saída Dilma, Michel Temer fez um apelo tão apressado quanto dramático à "união".
Script antecipado
O apelo de Michel Temer à oposição de unir forças "para superar a crise" já fazia parte do script, mas quando a renúncia fosse confirmada.
Ministro ignorado
O ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) fez uma visita à Câmara, que tanto hostiliza, para tentar "abrir o diálogo". Foi ignorado.
Lobby na mídia
Temer e ministros de revezaram em ligações a donos de grandes redes de TV e jornais pedindo apoio à tese de "união para superar a crise".
Dilma procura Renan para tentar acalmar aliados
A presidente Dilma Rousseff tem buscado conversar com o presidente do Senado, Renan Calheiros, para tentar "reconstituir a base aliada". A reforma ministerial domina as conversas entre os dois. Calheiros insiste em um corte significativo no número de pastas e substituição de maior parte dos ministros. Dilma já esboça como será o corpo ministerial, mas espera a nova "Lista Janot" antes de anunciar o desenho da Esplanada
Vai ou racha
Dilma quer munição "para quando o Procurador-Geral, Rodrigo Janot, denunciar Eduardo Cunha", dizem parlamentares. A PGR não confirma.
Salvador
A presidente foi aconselhada a se reaproximar de Renan, apontado como última alternativa para frear as bombas disparadas pela Câmara.
Na marra
A "enxugada" ministerial é vista como alternativa à PEC que limita em 20 o número de ministérios. Mas o pior será a escolha dos substitutos.
Nada de Lula
Assessores de Dilma foram pegos de surpresa com a notícia da carta-renúncia da presidente e dizem "desconhecer" o caso. Já a notícia de que Dilma vai nomear Lula ministro foi desmentida enfaticamente.
Na berlinda
O MPF não deve pedir o indiciamento de Romero Jucá (PMDB-RR), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), no âmbito da Lava Jato. Mas Eduardo Cunha seria "inevitável", segundo um senador.
Uma mãe
Mesmo com a taxa Selic a 14,25% ao ano, há empréstimos do BNDES feitos a juros irrisórios de até 2,8% ao ano. Melhor que as taxas são os prazos de pagamento firmados com o banco: variam de 10 a 12 anos.
Os homens do presidente
Os peemedebistas insatisfeitos com Eduardo Cunha o acusam de "encher as comissões com meninos". Cunha deu a jovens deputados o comando de CPIs e relatorias de projetos de repercussão nacional.
Negócio lucrativo
Os restaurantes que mais lucraram com os gastos dos 513 deputados federais este ano são o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), com R$ 402,6 mil, e o Hotel Nacional, com R$ 140,2 mil.
Luta dura
Pela primeira vez em 40 anos um governo de Brasília encara os taxistas. O veto à lei contrária ao Uber é só o primeiro round de uma luta que se avizinha cruenta para o governo do Distrito Federal.
Lavagem a jato
O secretário-geral do Solidariedade, ex-deputado João Caldas (AL), manifestou indignação, internamente, com as tramoias nas finanças do partido. Os acusados dizem que é "delação". Mas ele afirma que é só testemunha que deseja ajudar a "lavar a jato" os costumes políticos.
Mão na taça
Colegas do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contam que ele está confiante que manterá o cargo. Com o grande apelo popular da Lava Jato, avalia que "dificilmente será barrado" pelo Senado.
Pergunta no Congresso
O texto da carta-renúncia redigido pelo trio Dilma-Mercadante-Cardozo deixará claro que é renúncia mesmo ou vai dobrar a meta?
PODER SEM PUDOR

Fobia de Quércia
Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Franco Montoro articulavam a criação do PSDB, durante a Constituinte de 1988, e se reuniram com a turma de Ulysses Guimarães. O ministro Renato Archer pediu a palavra:
- Estive há algum tempo em São Paulo e lá encontrei Montoro como governador, Mário Covas prefeito e Fernando Henrique presidindo o PMDB no Estado. Do jeito que vocês são vulneráveis, cuidado com o Quércia: se ele entrar nesse novo partido, toma conta.
A advertência foi levada ao pé da letra: jamais os tucanos quiseram papo com Orestes Quércia, que ainda hoje comanda o PMDB paulista.


