''Se errar, a gente tem de pagar.''
Presidente Lula sobre a decisão de afastar da Casa Civil a ministra Erenice Guerra.

Roriz diz que advogado
o procurou em sua casa

O candidato do PSC ao governo do DF, Joaquim Roriz, afirmou ontem a esta coluna haver recebido em sua casa, por duas vezes, o advogado Adriano Borges, genro do ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, que se ofereceu para atuar em sua defesa na Justiça Eleitoral. Na ocasião, o ministro Ayres Britto já não integrava o Tribunal Superior Eleitoral e a defesa rorizista ainda não havia recorrido ao STF.

Duas visitas
As visitas de Adriano Borges datam de 28 de agosto e 3 de setembro, bem antes de Ayres Britto assumir a relatoria do caso Roriz no STF.

Circuito interno
Segundo Joaquim Roriz, as visitas de Adriano Borges à sua casa podem ser comprovadas pelas imagens do circuito interno de tevê.

O xis da questão
A presença do genro e a filha na defesa de Roriz impediria Ayres Britto - que defende a Lei Ficha Limpa - de julgar o caso, do qual é relator.

Independência
Magistrado honrado e rigoroso e alheio a tudo isso, Ayres Brito até já decidiu em desfavor de Roriz, que tentou anular a impugnação no TSE.

E-mails revelam advogado
envolvido com Roriz

Eládio Carneiro, advogado da coligação de Joaquim Roriz, diz que Adriano Borges ofereceu seu escritório - onde trabalha Adriele Britto, sua mulher e filha de Ayres Brito - para atuar no âmbito eleitoral. Dois e-mails de Adriano a Eládio, datados do dia 1º, em poder da coluna, revelam seu envolvimento na defesa de Roriz: informa os dados para a procuração do casal, comunica que a equipe está ''montada e pronta para iniciar o trabalho'' e pede reunião para ''explicar a estratégia''.

Honorários elevados
A contratação do escritório de Adriano Borges só não foi concretizada, diz Eládio Carneiro, porque ele pediu honorários demasiado elevados.

A iniciativa
Pedro Gordilho e Alberto Pavie Ribeiro, advogados de Roriz, confirmam Eládio Carneiro: foi de Adriano ''a iniciativa de estabelecer contatos''.

Consulta
Adriano Borges disse a esta coluna ter sido apenas consultado para atuar no caso. Foi também o que contou ao sogro e reafirmou em nota.

Era só o começo
A nova denúncia de corrupção de ontem, na Folha de S. Paulo, foi decisiva na saída de Erenice Guerra, mas o que fez Lula se livrar da ex-ministra foi a informação de que vem mais por aí. Nos jornais e nas semanais.

Novas emoções
O ministro interino da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves Lima, ganhou notoriedade na gestão de Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo, quando foi chefe de gabinete de Arlindo Chinaglia. E se meteu em trapalhadas que podem fazer Lula sentir saudades de Erenice...

A senhora 'War'
A ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra ganhou o mundo, ontem: sua ruidosa demissão foi anunciada na imprensa internacional, com direito a imagens na rede americana de televisão ABC.


Só rindo
Saudação no tuiter do genial Rodrigo Vieira, o ''Mução'', filho da ex-secretária da Receita Lina Vieira, que trombou com Dilma no caso Sarney: ''Bom dia para vc que acordou mais quebrado que sigilo fiscal''.


PODER SEM PUDOR
Jânio ruim da bola
Governador de São Paulo, certa vez Jânio Quadros foi a Santos, onde obteve péssima votação, e visitou um aliado, o deputado Athiê Jorge Coury. Resolveu elogiar o bom gosto da casa do anfitrião, um ex-goleiro do Santos:
- Athiê, meu bem, que casa linda! Diga-me, sinceramente: você a ganhou pelas bolas que defendeu ou pelas que deixou entrar?
- Que brincadeira infeliz!... - censurou depois o amigo Saulo Ramos.
- Você tem razão - respondeu Jânio, ainda bem humorado - Pobre Athiê, um bom homem e honesto. Foi bola fora. Ainda bem que ele não deu bola...

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