''Não haverá tema polêmico que não venha para o plenário.''
Senador José Sarney, prometendo mexer até mesmo em casas de marimbondos de fogo

Senador nega haver fraudado votação
A história surgiu ontem na bancada do PSDB no Senado, até em retaliação à suspeita de que ele esteve entre os eleitores de José Sarney: o tucano Álvaro Dias (PR) teria contratado empresa ou pessoas para votar nele, pela internet, elegendo-o ''Senador do Ano'' do influente site de notícias e análises ''Congresso em Foco''. Alegou-se inclusive que em um só dia ele recebeu 79 mil votos. Dias nega com veemência.

Pedido atendido
Álvaro Dias nega a suposta fraude. Diz que sua assessoria apenas enviou cartas a eleitores pedindo votos no site. Foi atendido.

Conta de somar
O site Congresso em Foco, muito respeitado em Brasília, fez auditoria na votação e desconhece a fraude. Mas seu diretor Sylvio Costa vai apurar.

Cidadania
Emocionou ontem a atitude da senadora Maria do Carmo (DEM-SE) e do deputado Carlos Wilson (PT-PE) de, muito doentes, irem a Brasília votar.

Família
Apesar da iminente cirurgia devido a um aneurisma cerebral, a senadora Roseana Sarney fez questão de ficar ao lado do pai, ontem, no Senado.

Começa a temporada de retaliações
Concluída a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado, começa a temporada de retaliações. O senador Tião Viana, por exemplo, está com gosto de sangue na boca para forçar o governo a promover retaliações contra o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que votou em José Sarney. Assim como não teve apoio explícito do Planalto, Tião não conseguirá a vingança: Arruda está entre os senadores mais queridos por Lula.

É pessoal
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) espuma de raiva ao se referir a Renan Calheiros, antiga inimizade. Até disse que ele foi ''cassado'. Não o foi.

...e a conta é nossa
Os fatos no Fórum Social Mundial em Belém (FSM) já o credenciam a mudar de denominação: Farra com Maconha e Sacanagem.

Arquiteto
O grande arquiteto da vitória de Michel Temer na Câmara foi o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN). Sua força política se multiplicou.

Briga pela CCJ
Michel Temer tem compromisso com o deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) de indicá-lo à presidência da Comissão de Constituição e Justiça. Mas Eduardo Cunha (RJ) quer impor Tadeu Filippelli (DF).

Cortesia com chapéu alheio
Cena significativa, há dias, na churrascaria ''Porcão'' de Brasília: após a comilança indecente, com direito a uísque de primeira no meio da canela, pelegos de sindicatos e centrais ficaram encantados com o narigudo da mesa ao lado. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, foi quem pagou a conta.

Bico de pau
Logo após a derrota acachapante de Tião Viana (PT-AC), senadores do PSDB, de olho nas comissões, passaram a procurar o presidente José Sarney para insinuar que estavam entre os tucanos que votaram nele.

Bolsa-Boneca
O Ministério da Cultura está à procura de Júlio César Ávila Dias, que sumiu com a verba recebida em 2006 para 10 Parada do Orgulho Gay de Goiás. Como vê, é o contribuinte quem paga esse tipo de coisa.

Lorota do coroné
O coronel e senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) alegou ôrazões éticas" para votar no petista Tião Viana para presidente do Senado. Loroteiro. Viana é daquele partido que promoveu o escândalo do mensalão.

Festa no TCU
Ex-candidato a presidente da Câmara em 2007, José Thomaz Nonô abriu mão do paraíso da Barra de São Miguel (AL) para não perder a posse, hoje, do ex-senador José Jorge no Tribunal de Contas da União.

Cutucada
Em seu discurso, na Câmara, o presidente Michel Temer fez o que seu antecessor Arlindo Chinaglia nunca fez: foi simpático. ''A imprensa é irmã siamesa do Legislativo'', disse, em defesa da liberdade de imprensa.

Esforço inútil
De nada adiantou a caminhada de Tião Viana, minutos antes da eleição. O petista visitou gabinetes pedindo votos. Nem sequer perdeu peso. Ganhou a estratégia de José Sarney: aguardar a vitória sentado.

Pensando bem...
...vão-se os empregos, ficam os salários?

PODER SEM PUDOR
Defeitos são essenciais
Jânio Quadros detestava ouvir pedidos para promoções funcionais, mas às vezes não conseguia evitá-los. Certa vez recebeu um servidor do governo de São Paulo que não se constrangia em destacar os próprios méritos:
- Trabalho há 26 anos e nunca faltei ao trabalho...
- Sei... - murmurava o governador.
- Minha ficha funcional mais de quarenta cartas de elogio...
Jânio encerrou a conversa:
- Na próxima vez, o senhor deveria tomar cuidado para não ser tão perfeito.

Com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos
www.claudiohumberto.com.br

mockup