CLAUDIO HUMBERTO
''Waldomiro Diniz nunca foi algemado, continua solto, palitando dentes.''
Senador Jarbas Vasconcelos acusando a PF de tentar intimidar o Congresso e a Justiça
Operação vazamento
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, um homem honrado, foi vítima de um vazamento seletivo: plantaram na imprensa que ele seria ''Gilmar de Melo Mendes'', ligado ao caso da Operação Navalha. Na verdade, trata-se de outra pessoa. ''Foi uma tentativa de intimidação'', acusa ele. Até este colunista, que tem por norma denunciar irregularidades, é vítima desses vazamentos manipulados, que escolhem a dedo seus alvos.
Solidariedade
Parlamentares de todos os partidos se solidarizaram ontem com o ministro Gilmar Mendes, tanto na Câmara quanto no Senado.
Dispositivo
Os grampos da Operação Navalha são entregues a jornais e emissoras em ''pen drive'', dispositivo que aposentou CDs e disquetes em computadores.
Mistério
Vazaram cópia da Operação Navalha para o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM); nela, cobriram com uma tarja o nome do primeiro suspeito.
Suspeito
No documento da Polícia Federal sobre navalheiros, em poder de Arthur Virgílio, a lista de suspeitas começa com o nº 2, o governador do Maranhão.
Segredos bem guardados
A Polícia Federal investigou denúncias de fraudes de três empreiteiras, e não duas, como se supunha. A ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, desmembrou os casos para se concentrar no esquema desmantelado pela Polícia Federal na construtora Gautama, de Zuleido Veras. Os outros casos são mantidos em caixa-forte. Deverão ser retomados depois de concluída a primeira fase da Operação Navalha.
Críticas
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) denunciou ontem que o País vive um ''estado policial''. Ele reclamou das ''ações espetaculosas'' da PF.
Plantação
A PF nega enfaticamente os vazamentos, por isso já se acredita que a imprensa tem recebido gravações ilegais de uma empresa de investigações.
Espelho meu
Esta coluna antecipou quarta que Márcio Zimmermann, secretário de Planejamento Estratégico, deveria ser o novo ministro de Minas e Energia.
Direitos individuais
O Congresso vai discutir a regulamentação da garantia constitucional dos direitos e liberdades. O objetivo é punir severamente abusos de poder. Como grampear telefones sem autorização judicial, habitual em Brasília.
Sobrenome
Indagado sobre a situação do governador tucano de Alagoas, Teotônio Vilela, que se viu envolvido na Operação Navalha, o senador Tasso Jereissati (CE) afirmou: ''Teotônio tem sobrenome, tem postura...''
Público e privado
O senador José Nery (PSOL-PA) está usando a estrutura do seu gabinete para divulgar atividades privadas e políticas da ex-senadora Heloisa Helena (AL). Quando candidata a presidente, ela foi acusada de fazer o mesmo.
Sob encomenda
O conselheiro no Tribunal de Contas Flávio Conceição articulou em Sergipe para não ser contratada auditoria para sete obras da Gautama, diz a PF. Conseguiu. Apesar de um voto contrário a pedido de Marcelo Deda (PT).
Sem intermediários
O senador Almeida Lima (PMDB-SE) retomou seu projeto que mexe no Orçamento para combater a corrupção: todas as emendas parlamentares historicamente liberadas pelo governo (R$ 4 bi anuais) seriam acrescidas aos percentuais dos FPE e FPM, beneficiando Estados e municípios.
Asfixia
O ministro do Desenvolvimento acha natural que empresas morram por causa do dólar baixo. Mas, como os juros altos ajudam a matar, trata-se, em certos casos, de assassinato. No mínimo, de eutanásia.
Obesidade engarrafada
Essa moda de vender refrigerante em farmácia deveria, pelo menos, respeitar o bolso do paciente. Na drogaria, a garrafa pet dois litros chega a custar R$ 4,00, o dobro do armazém.
Operação Apito
Depois de roubado no Campeonato Carioca, afanaram também do Botafogo a chance de disputar o título da Copa Brasil. Já que a comissão de arbitragem da CBF nada faz, a PF poderia cogitar uma Operação Apito.
Perguntar não ofende
Não estão proibidos mimos, gautâmicos e não gautâmicos, a autoridades e funcionários republicanos?
PODER SEM PUDOR
Um vovô esperto
Paulo Maluf não entrega os pontos nem quando sofre derrota. Em 1990, após perder a disputa pelo governo de São Paulo, ele recebeu os repórteres que cobriram sua campanha para uma bem-humorada entrevista. Depois propôs uma foto com todos. Uma repórter, conhecida militante do PT, ficou injuriada com o beijo que Maluf aplicou-lhe na bochecha. Ele brincou:
- O que é isso, minha filha? Eu sou apenas um vovô. Eu até já estou meio...
Parou no meio da frase, olhou para os lados e gargalhou, avisando:
- ...não, não estou, não!
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Com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos
www.claudiohumberto.com.br





