''Ladrão de carro quando é pego fala: 'Poxa, eu não precisava disso'''

Geraldo Alckmin sobre o presidente Lula alegar que não se beneficiaria do dossiê do PT

Apuração sob controle
A apenas seis dias úteis e três programas gratuitos na tevê da eleição do dia 1º, o Palácio do Planalto estabeleceu ontem uma estratégia para impedir o crescimento da crise da gangue do dossiê: ainda que seja descoberta a origem do dinheiro apreendido com os petistas em um hotel de São Paulo, a informação somente seria divulgada após a eleição. Lula quer o Coaf e a Polícia Federal ''sob controle'' para não vazar a descoberta. Vai ser difícil.

Pânico
O controle de informações sobre a gangue do dossiê mostra que o governo já sabe a origem dos R$ 1,7 milhão apreendidos. E entrou em pânico.

Sonho de verão
O escândalo da gangue do dossiê dinamitou o projeto de Ricardo Berzoini de virar ministro da Casa Civil, no segundo governo Lula.

Acabou
Há uma semana, o comitê de Aloizio Mercadante (PT-SP) era só euforia, com a entrevista dos Vedoin na revista IstoÉ. Ontem, o clima era de enterro.

Ad nauseam
Lula reclama da Globo de barriga cheia: a GloboNews repetiu por mais de dez horas, ontem, que ele achou ''abominável'' a gangue do dossiê.

Ex-petista aponta a Suíça
O deputado Orlando Fantazzini (PSOL-SP), ex-PT, mas sempre alijado da turma de Lula, vê nos US$ 10 milhões que Duda Mendonça disse estarem na Suíça uma pista para os dólares da gangue do dossiê: ''Se rastrearem, os nomes aparecem'', avalia. Ele acha que ''Lula pode ter sido o mandante'' (da operação). E acha que o escândalo ''abalou Lula de vez''.

Cadê o Coaf?
Orlando Fantazzini estranha a morosidade do Coaf para rastrear o dinheiro da gangue do dossiê: ''Para o caseiro Francenildo foi rápido''.

Agente 0013
Só falta descobrir agora que Jorge Lorenzetti, o ''analista de risco'', monitorava para o governo americano o ataque de 11 de setembro.

Guerra fiscal
Dos onze julgamentos de ontem no Supremo Tribunal Federal, dez eram brigas entre Estados ou assembléias legislativas por conta de ICMS.

Guarda de trânsito
José Dirceu criticou o presidente do TSE, Marco Aurélio, por ''avançar o sinal'' ao dizer que o dossiê é ''muito pior que o caso Watergate''. Com sinal verde, o ex-presidente do STF Nelson Jobim quase foi vice de Lula.

Conta outra
Ao demitir-se do Banco do Brasil, Expedito Veloso contou uma lorota: de férias (remuneradas), não informou ao chefe Adézio Lima, vice-presidente do BB e petista de carteirinha, que ia trabalhar na campanha de Lula.

Fantasia
O PT de Berzoini passou o dia, ontem, tentando ''plantar'' entre jornalistas a desconfiança de que a gangue do dossiê foi produto de uma ''armação'' do Ministério Público contra a candidatura de Lula. Conversa mole.

Desafio
O Supremo Tribunal Federal rejeitou a política de incentivos fiscais do Pará, por inconstitucional. Mas o governador tucano Simão Jatene desafia o STF: aprovou novas leis que na prática restabelecem a política fiscal derrubada.

No cargo errado
Lula não apenas é ''cego e surdo'' na Presidência, como ignora a liturgia do cargo de comando, dizendo que ''a pessoa cometeu erro, eu afasto''. Afasta e ainda dá tapinhas nas costas e elogia em público, como fez com Palocci.

Apagando rastros
Chefe do gabinete de Lula em São Paulo, o ex-segurança José Carlos Espinoza saiu em agosto para atuar na reeleição. Mas seu nome estava no site da Presidência da República até explodir o caso da gangue do dossiê.

Sem provas
Dos três senadores enrolados nos sanguessugas, só Serys Slhessarenko (PT-MT) tem chances de absolvição. Relator do processo, Paulo Octávio (PFL-DF) ainda não encontrou provas irrefutáveis de seu envolvimento.

Agora é Chávez
Não basta um Morales da Bolívia: representante do governo Hugo Chávez insinuou à agência BNAmericas que a Petrobras lucrou mais que os US$ 254 milhões declarados à Venezuela. A Petrobras não comentou.

Faroeste
Lula constatou ontem que ''mexer com bandido não dá certo''. Tem razão, presidente: mexer com bandido é ''freud''.

Pensando bem...
...com a saída de Jorge Lorenzetti, a vaga de churrasqueiro de Lula será preenchida por concurso público ou terceirizada por ONG?

PODER SEM PUDOR
Voto perdido

Às vezes custa caro a Lula falar palavrões na intimidade. Em 2002, em campanha no Maranhão, o ônibus que ele usava empacou no município de Pedreiras. O então aliado Jackson Lago, candidato a governador, ofereceu-lhe carona. Lula entrou no carro e nem sequer cumprimentou José Francisco, motorista de Lago. A desatenção custou caro:
- Não falou comigo, disse um monte de palavrão e perdeu meu voto...

Com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos
www.claudiohumberto.com.br

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