Desmatamento bateu recorde no governo Lula
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segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Claudio Humberto 
Dados do INPE revelam que a Amazônia teve 125 mil quilômetros quadrados desmatados nos 8 anos do governo Lula. O recorde foi em 2004, quando o INPE registrou em apenas um ano desmatamento de 27,7 mil quilômetros quadrados, equivalente ao Estado de Alagoas, sem que tenham sido ouvidos protestos de ONGs ou líderes europeus. O Instituto Imazon diz que nos últimos 12 meses foram desmatados 5 mil km2, 66% a menos que a média anual do governo Lula.
“A proteção da floresta é nosso dever”
Presidente Jair Bolsonaro, durante seu pronunciamento em rede nacional
Queda livre
A média anual de 15,6 mil quilômetros quadrados desmatados na era Lula caiu para menos da metade, 6,3 mil, entre 2011 e 2018.
Menor possível
O menor registro de desmatamento na Amazônia Legal, diz o INPE, ocorreu em 2012, quando foram destruídos 4,5 mil km2 de matas.
Crise fake
Se mantiver o ritmo dos últimos meses até o final do ano, o governo Bolsonaro terá o terceiro melhor resultado da série histórica do Inpe.
Tá explicado
A manipulação de números, utilização de fotos antigas ou mesmo de outros locais, evidenciam o interesse comercial ou político na crise.
Motoristas do DF recebem 7 mil multas por dia
O presidente Jair Bolsonaro tem citado a “indústria da multa” e até falou que, no DF, ninguém consegue circular sem ser multado. Os números parecem dar-lhe razão. Os órgãos de controle de trânsito (Detran, DER e PM) aplicaram mais de 1,25 milhão de multas no primeiro semestre do ano, cerca de sete mil autuações por dia. A mais comum, dirigir acima da velocidade, representa 59,1% do total; 741,3 mil infrações.
Faltam vagas
A segunda multa mais comum foi por estacionamento irregular. Foram 92.229 autuações, o equivalente a 7,35% do total ou 510 multas diárias
Completam o pódio
Avançar sinal vermelho (76.279), não usar cinto de segurança (51.210) e usar faixas exclusivas de ônibus (48.221) fecham o top 5 das multas.
Dinheiro demais
Questionado, o Detran-DF não soube estimar quanto seria arrecadado se todas as multas fossem pagas. Vários milhões, com certeza.
Presidente analógico
O pronunciamento em rede de rádio e TV pode significar a “rendição” de Bolsonaro a formas convencionais ou “analógicas” de comunicação. Ainda é a melhor maneira de um presidente da República falar ao País.
Reciprocidade dói
Um País com mais de 200 milhões de pessoas, como o Brasil, é um mercado atraente para qualquer parceiro comercial. Boicote a produtos brasileiros pode render retaliação idêntica, e todos sairiam perdendo.
Festa no Supremo
Nomeado por Lula, o ministro Dias Toffoli irá completar dez anos no Supremo Tribunal Federal em 23 de outubro. Se quiser, poderá ficar mais 23 anos, até 2042. Amigos tentam convencê-lo a fazer um festão.
Que vergonha
A deputada Rosana Lessa (PSB-SP) deu a cara e votou pela reforma da Previdência, mesmo ameaçada pelo partido. Delinquentes, que nunca terão sua coragem, escondem-se no anonimato para insultá-la nas redes sociais e persegui-la nas ruas. O PSB faz ouvidos moucos.
Esses alemães...
A ONG Mighty Earth denunciou a lorota de produtores alemães de salsichas supostamente “sustentáveis”: a soja que alimenta o gado vem de áreas desmatadas no Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai etc.
Olha o que vendem
Inseticidas, fungicidas e herbicidas totalizam 12,5% das exportações da França, e o Brasil tem importado essas porcarias em volume cada vez menor. Mas importamos também peças para carros e medicamentos.
Nem aí
Há pelo menos 461 mil brasileiros para os quais essa discussão sobre queimadas na Amazônia é secundária. São os que conseguiram deixar as filas do desemprego desde o início do ano.
Oportunismo, parte II
Amanhã já faz uma semana e até agora, que surpresa, não apareceu cineasta oportunista anunciando a produção de um filme sobre o “pobre rapaz” que sequestrou 37 pessoas e acabou “assassinado” pela polícia.
Pensando bem...
...na semana dominada por queimadas, o filho do presidente que quer ser embaixador virou “queimação” secundária.
PODER SEM PUDOR

Falta de memória
Jânio Quadros percorria o País, na campanha presidencial de 1960, a bordo de um avião Convair e sempre na companhia do vice, Milton Campos. Dono de uma memória prodigiosa, Jânio repetia o mesmo discurso em todos os comícios, sublinhados por gestos teatrais. O vice, ao contrário, sempre mudava o tema. Certa vez, em Governador Valadares (MG), Jânio o elogiou: “Dr. Milton, que maravilha! Um discurso para cada comício. Que cultura!” Milton Campos respondeu, modesto: “Não é cultura, é falta de memória mesmo.”


