‘Coletivas na grade’ são ruins, mas pautam a mídia
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quarta-feira, 28 de agosto de 2019
Claudio Humberto 
“É hora de o Congresso Nacional votar”
Deputado Alex Manente (Cida-SP), autor da PEC da prisão após a segunda instância
‘Coletivas na grade’ são ruins, mas pautam a mídia
O presidente Jair Bolsonaro sempre se sai muito mal das declarações à saída do Alvorada, onde mora, ou à chegada no Planalto, onde trabalha, e cumpre o papel de pautar a mídia, mas a um custo elevado. Ele reage mal e de maneira desrespeitosa a repórteres perguntadores, passa a impressão de falar sem refletir, o que é ruim para presidente, e tenta desqualificar notícias e jornalistas, mas os valoriza. Antes de abrir a boca, precisa lembrar que tudo o que afirma será usado contra ele.
Presidente usa dublê
As “coletivas na grade” são fonte permanente de desgaste. Bolsonaro tem até “dublê” para esse papel: o ótimo porta-voz Otávio Rego Barros.
Só de caso pensado
Se o presidente quer reagir a alguma notícia ou anunciar, esclarecer, festejar, que o faça de maneira correta, tranquila, pensada. Gravada.
‘Quebra-queixo’, jamais
Presidente não se sujeita a “quebra-queixo”, ou seja, a entrevistas com uma dezena de microfones roçando as bochechas do entrevistado.
O jogo é outro
O presidente parece se mirar no Bolsonaro candidato: usou as redes sociais com maestria, mas muito agressivo. Presidência é outro jogo.
Moraes segura no STF julgamento de censura a TV
O ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu a Rede Tiradentes de rádio e TV, do Amazonas, de citar o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, várias vezes citado da Lava Jato. O senador obteve a censura apesar de os direitos à liberdade de expressão e à informação serem garantidos pela Constituição. Talvez por isso o ministro Moraes não permita que o processo seja julgado.
Violência vetada
Decisões do STF consagram decisões que impedem a decretação de censura prévia aos veículos de comunicação.
Sentado no processo
O processo já começou a ser julgado duas vezes pelo chamado “plenário virtual” do STF, mas estranhamente foi retirado de pauta.
Censores
O temor dos defensores da censura é que o STF respeite o próprio entendimento e anule o ato de violência contra a Rede Tiradentes.
Ameaça de ‘tocar fogo’
Há ministros sustentando no Planalto a ideia de que foi para valer a ameaça do líder porralouca do MST, João Pedro Stédile, no ano passado: “Se Bolsonaro ganhar, vamos botar fogo neste País”.
Reforma ruim
Pela proposta de reforma tributária no Congresso, obra de tecnocratas que não têm pai nem mãe, vai demorar dez anos, sem reduzir a alíquota, a transição que transforma cinco tributos no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). É bom para o governo, ruim para a população.
Árvore no pescoço
Além de oportunista, proposta de CPI do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), cujo estado tem 99% da floresta intactos, chove no molhado: pretende “investigar” o que já está sendo investigado.
Maus colonizadores
O ministro Augusto Heleno (GSI) disse ontem durante a reunião com governadores, que, como colonialistas, a França deixou rastro de miséria e destruição. “Eles não podem dar lição em ninguém”, disse.
Treta eleitoral
Carla Zambelli (PSL-SP) questiona a ausência de Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo, em três manifestações pró-Bolsonaro. “O que está havendo?”, provocou. É o post com recorde de comentários.
Na maior rede
O deputado Marco Feliciano (Pode-SP), aquele da boca que é um tesouro, tem 4,3 milhões de seguidores no Facebook. O campeão no Congresso. O senador Marcos do Val (PPS-ES) tem 3,9 milhões.
A vida como ela é
O Paraná Pesquisa revelou que o desfecho do sequestro do ônibus na ponte Rio-Niterói foi acompanhado por 88,3% dos brasileiros e 76,3% acreditam que a polícia agiu certo ao matar o sequestrador. Entre os homens, a aprovação da ação do atirador de elite foi de 83,5%.
Inferno tributário
A proposta de reforma tributária que está na Câmara contém trechos do relatório Doing Business 2019, do Banco Mundial, que identificou que uma empresa brasileira leva 1.958 horas para pagar tributos. O 2º colocado (Bolívia) leva 1.025 horas. A média em 190 países é de 206h.
Receita de mulher
Até a divertida sentença de Vinicius de Morais, no poema “Receita de Mulher”, foi demonizada pela patrulha: “As muito feias que me perdoem. Mas beleza é fundamental”.
PODER SEM PUDOR

Sem-vergonhice
Certa vez, em 1988, o ex-ministro Nelson Jobim foi dar uma força na campanha do PMDB à prefeitura de Tupanciretã (RS), região em que os candidatos têm o hábito de demonstrar civilidade visitando os palanques dos adversários. Jobim já discursava quando o adversário, Dr. Marcel (PDS), subiu ao palanque. Ele impostou a voz para perguntar à platéia: “Por que será que o Dr. Marcel está no nosso comício?...” O grito de um bêbado estragou a profunda reflexão pretendida por Jobim: “Porque ele é um sem-vergonha, tchê!”
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Com André Brito e Tiago Vasconcelos
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