CÉLIA MUSILLI -

Viva, Paulo Gustavo!


A semana trouxe boas notícias acerca da recuperação do ator Paulo Gustavo, ele é mais uma vítima da Covid-19 que tem tudo para se transformar num exemplo de superação. Há duas semanas, seu estado de saúde pôs os amigos em alerta, uma corrente de orações de norte a sul pedia a Deus por sua saúde. E Deus, sem preconceitos de gênero, raça ou religião, parece que ouviu as preces.

Li que Preta Gil participou da corrente, li que Mônica Martelli, partner de Paulo Gustavo em muitos trabalhos, ficou noites sem dormir, em vigília, rezando pelo amigo internado numa UTI. 


Paulo Gustavo é o cara que me fez rever as comédias nacionais no cinema. Assisti "Minha Mãe é Uma Peça 1, 2, e 3" com meus filhos,  assisti "Minha Vida em Marte" com direito a poltrona reclinável, pipoca e Coca-Cola. Com ele fiz as pazes com a comédia brasileira, com o riso provocado por histórias que têm muito a ver com as nossas, da mãe super protetora aos amigos gays, que são um exemplo de solicitude e gentileza em nossos piores momentos. Feliz da mulher que tem um grande amigo gay, quando se juntam as afinidades não têm carinho maior, nem amizade tão firme para todas as horas.


Tive um amigo assim, aquele que foi morar comigo quando perdi meu pai e fiquei sozinha num apartamento recém-divorciada. Naquele momento, as conjunções fizeram com que eu me separasse ao mesmo tempo em que perdia o pai, que morava comigo. Aí veio Carlinhos que, anos mais tarde, morreria precocemente. Mas ele estará para sempre na constelação dos "meus melhores amigos."

 

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. | Marco Jacobsen
 


Voltando ao cinema, acho impagáveis as cenas de amizade de "Minha Vida em Marte." Fernanda (Mônica Martelli) se separa do marido Tom (Marcos Palmeira) e o amigo e sócio Aníbal (Paulo Gustavo) é quem se dispõe a ajudá-la a superar o divórcio. Seguem-se situações engraçadas, muitas risadas, quando o amigo a convida para uma viagem a Nova York, onde se comportam como duas crianças na metrópole que se transforma em cenário da volta à alegria. Ri muito com Aníbal combinando com Fernanda de esbarrar nos americanos, pelas ruas de NY, só para dizer "Sorry." Me diverti com os quilos de suplementos que Fernanda adquire na viagem, com Aníbal esconjurando sua mala de comprimidos que passaria pela alfândega.


Já "Minha Mãe é uma Peça 1, 2 e 3" são um convite para revermos nossa relação com as mães, aquelas mesmas que nos incomodam, mas nos amam incondicionalmente. Paulo Gustavo encarna Dona Hermínia, sua própria mãe com outro nome, nas feiras e na vida doméstica, nas relações sociais, na relação com os filhos. Um poço de situações cômicas ou fora de controle que lembram nosso cotidiano.      


Paulo Gustavo já começava a usar suas funções respiratórias na quinta-feira (22), depois de passar dias ligado a um pulmão artificial. A despeito de um pastor de Alagoas, que desejou sua morte, dando exemplo de coração ruim, o ator se recupera a cada dia, dando sinais de vitalidade e conexão com os estímulos externos. Que este fim de semana seja mais um passo para sua recuperação. O Brasil precisa de alegria, o Brasil, mais que nunca, precisa de Paulo Gustavo e tudo aquilo que ele representa. Saúde!


Assista aqui ao trailer de Minha Vida em Marte.


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