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Londrina

CÉLIA MUSILLI

m de leitura Atualizado em 03/07/2022, 14:22

Reflexões sobre o dinheiro, a felicidade e a infelicidade

Governos se corrompem e se vendem, famílias se unem ou se destroem, tudo por causa do dinheiro

PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de julho de 2022

Celia Musilli - Editora
AUTOR autor do artigo

Foto: Marco Jacobsen
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Na atualidade, muito se fala das moedas virtuais como o bitcoin. Ele já tem uma infinidade de "primos" como o ethereum, binance coin, tether etc. Nosso colunista de Economia Marcos Rambalducci, a quem admiro, pode falar com muito mais propriedade sobre essas moedas que apareceram na última década, conquistando coraçõ$s e ment$s. Elas não são emitidas por nenhum governo e estão submetidas a uma série de riscos, entre perdas e ganhos, o que não constitui exatamente uma novidade. Moedas "oficiais" também se valorizam e desvalorizam conforme a dança das cadeiras de governos e economias. Tem gente por aí que dorme rico, acorda pobre ou remediado e vice-versa.

Tenho refletido sobre o dinheiro e a vida desgraçada (com o perdão da má palavra) que ele nos proporciona quando falta ou até quando é abundante. Fortunas se formam e desmoronam, governos se corrompem e se vendem, famílias se unem ou se destroem, pessoas são felizes ou infelizes, evoluem ou se matam, tudo por causa do dinheiro.

Essa conversa de "moeda virtual" não me seduz tanto quanto vejo acontecer com os amigos e conhecidos. Pra ser sincera, sempre considerei todo dinheiro virtual, moedas que representam bens e recursos, servem para a aquisição de serviços e mão-de-obra, garantido por governos que hoje estão aqui, amanhã não mais.

No sistema capitalista a coisa fica séria porque o dinheiro vale saúde  ou doença, alimento ou escassez, vida ou morte. Do rico ao morador de rua, tudo gira em torno do dinheiro, essa "maldição" enfocada em filmes e livros até como "coisa do diabo" e bem recebida nas igrejas que vivem de doações, dízimos e até "carnês do céu" - acreditem, isso existe, confiram em programas na TV, com apresentadores "chapeludos" como se fossem os "magos das finanças" e não líderes religiosos.  

Observo que convivemos com um glossário ligado ao dinheiro em nosso dia a dia: compra e venda, saque e depósito, saldo negativo ou positivo, cheque especial, empréstimos, consignados, transferência, Pix, transações, produtos, investimentos, poupança, CDB, carteira, cotação, bolsa, rendimento, juros, fatura, cartão, seguros, títulos, crédito, débito, limites e o famigerado BOLETO, aquela assombração do trabalhador a cada mês. Copiei todas essas palavras do meu app bancário porque pode faltar comida no mundo, mas banco nunca falta!

Será que merecemos viver assim? Em torno de transações que tiram nosso sossego, consomem nossas vidas e só cessam de aparecer quando já partimos dessa para melhor? Que fica cada vez melhor à medida em que nos livramos de uma existência que, como está,  é insana?

Faço essas reflexões inspirada numa indagação do meu filho Gustavo, 25 anos, no primeiro emprego como professor e que é um crítico afiado do capitalismo: "Mãe, será que ninguém percebe que criamos um modo de vida estúpido?"

Ele tem razão e acho que as comunidades primitivas que não poluem rios, não destroem montanhas, nem cavam a Terra até a sua extinção, têm muito a ensinar sobre os recursos e bens verdadeiros à nossa "civilização."

O que elas preservam é a vida e isso não tem euro, dólar ou bitcoin que paguem. Ou não deveria ter!