Publicidade bizarra
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Célia Musilli 
Outro dia eu passeava no shopping quando ouvi uma voz que parecia a de um ventríloquo. Demorei para entender o que ele dizia: "Pizza margherita em promoção". Falava isso entredentes, com a intenção clara de chamar a atenção como se fosse um personagem.
Fiquei pensando que a publicidade não tem medidas para transformar seus apelos em coisas bizarras, às vezes de gosto duvidoso, e há na história exemplos absurdos que nos fazem ir do riso à completa falta de credibilidade em relação aquilo que anunciam. A propaganda serve para o atrair a atenção para produtos, marcas ou empresas. Mas os exageros já me fizeram ter medo daquele bonecão dos postos de gasolina ou rolar de rir diante dos artistas de rua que ficam em frente às lojas vestidos como bichos gigantescos. Já topei com galinhas emplumadas, cachorros que parecem bobos e personagens da cultura popular que de tão batidos não chamam mais a atenção de ninguém.
Com o objetivo de serem originais, publicitários de fundo de quintal ou donos de estabelecimentos que fazem seu próprio anúncio também já colocaram para circular coisas inacreditáveis. Uma busca no tempo mostra anúncios de antigamente ou mesmo da atualidade cujas apelos soam mais como piada.
Entre eles, já vi um anúncio de funerária cujo conteúdo provoca apenas o riso e nenhuma compaixão pelo defunto: "Se o seu parente não dá mais no caldo, chame o Waldo." Imagino o agente fúnebre recebendo seus clientes depois de uma anúncio desses.
No plano das contradições ou meras bobagens, também vi na rua uma faixa que anunciava: "Bronzeamento artificial! 100% natural."
Mas é na política que os candidatos se esmeram como criadores de uma verdadeira fábrica de piadas. Em 2014, vi anúncio de um deputado do Rio Grande do Norte chamado "Cição Bandido". Havia também o BimBimBim, candidato a vereador do PMDB que se vestia como Bin Laden no tempo em que o terrorista desaparecido era tema constante no noticiário. Há também o motel pouco romântico que convida os namorados a frequentá-lo de forma bizarra: "Venha comer camarão com o seu amor", chamado que desmonta qualquer cena romântica antes mesmo do casal cruzar a portaria.
Outro exemplo inacreditável foi ver Einstein num cartaz, sem a língua de fora, informando que "ele também come Mentos". Sem contar um anúncio de batatas fritas em que uma avó aparece apertando as bochechas saudáveis da netinha até a garota ficar ligeiramente vesga.
Também tenho birra de anúncios em revistas criados sem levar em conta a harmonia da página, eles têm o dom de derrubar qualquer editorial e transformam uma pauta boa em matéria vulgar tendo em vista a "vizinhança" discutível do formato publicitário.
Porém, o maior exemplo de propaganda surreal foi o anúncio de pneus de uma marca japonesa que mostra o carro firme na estrada enquanto, acima dele, um disco-voador tenta sem sucesso arrancá-lo do chão contrariando a teoria de que os OVNIs são capazes de abduzir um automóvel com os passageiros dentro.
Com exemplos tão originais, seja no plano do drama ou da comédia, eu nunca soube se a publicidade é, afinal, um ponto a favor ou contra o consumo. Um caso a se pensar para quem se dedica à arte de tratar bem a imagem do seu produto.



