Prédio da antiga Cipasa dá lugar a um novo empreendimento
Local que ficou fechado durante anos renasce para uma nova ocupação comercial que instiga a curiosidade dos londrinenses
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Local que ficou fechado durante anos renasce para uma nova ocupação comercial que instiga a curiosidade dos londrinenses

No centro de Londrina, o prédio da antiga Cipasa é um marco dos tempos promissores da cidade. A venda de carros na concessionária era um negócio que evoluia no ritmo de outros empreendimentos que davam a Londrina um status de cidade grande, um polo de negócios que atraia compradores de toda região metropolitana. Os carros brilhavam nas vitrines, acompanhando o brilho dos olhos dos possíveis compradores. O carro era o sonho de consumo de dez entre dez brasileiros.
Há um mês, o prédio mergulhado no silêncio nos últimos nove anos recuperou a vida no ritmo de uma construção que chama a atenção de quem passa pelo centro e torce pela revitalização de espaços que estão na memória dos londrinenses, como referências de uma cidade que nunca parou de crescer.
Na confluência da Avenida Paraná com a Rua Hugo Cabral há um movimento incomum no momento. O prédio, que foi local de um evento trágico e, nos últimos anos, só era ocupado como sede de campanhas eleitorais ou para locação de equipes de filmes como "Assalto à Brasileira", produzido em parte em Londrina, agora ecoa outros ruídos. Eu, que sou vizinha da construção, acordo todas as manhãs com o barulho das máquinas, nem sempre agradável, mas me alegro ao pensar que o local vai renascer dos seus cômodos escuros, ganhando luz e movimento, numa construção que ocupa mais de mil metros quadrados, nos cálculos de uma leiga em projeção de áreas.
Desde que mudei para a avenida Paraná, há quase 5 anos, me acostumei a ver o prédio fechado. Cercado de árvores enormes - que, espero, sejam mantidas na calçada - o local servia como abrigo de morcegos que saiam à noite em festa e, talvez, viesse de lá a infestação de cupins que de vez em quando nós, da vizinhança, combatíamos com o empenho de patrulhas contra os insetos, uma guerra difícil.
Agora, já destelharam todo o prédio composto por um núcleo principal, envidraçado, e dois anexos. Sem as telhas dá para ver a dimensão do edifício capaz de abrigar carros no interior e no pátio externo. Na última quinta-feira, começou também a demolição das paredes.
Na vizinhança ainda não sabemos exatamente a que se destina o local, a especulação mais forte dá conta que será uma nova concessionária de carros, também se especula sobre a ocupação por um shopping popular ou uma combinação das duas coisas. Façam suas apostas!
Se o atual investidor também quiser informar o destino da obra será bem-vindo, porque a curiosidade já tomou conta do bairro e tem gente propondo um prêmio para quem acertar a resposta. De minha parte, já tentei especular com os trabalhadores da obra. Discretos, eles não respondem e continuam alavancando telhados com ferramentas, alheios à minha curiosidade de repórter.
Com o prédio descoberto, é bonito ver a luz do sol infiltrada lá dentro.
Que o Centro Histórico renasça com a esperança de que o silêncio excessivo não ceda lugar ao excesso de barulho, mas à vida de um comércio que vem somar à avenida principal de Londrina, cidade que cresceu no ritmo de lojas inauguradas, de portas fechadas e reabertas, nos seus quase 100 anos. O local da nova construção faz parte desta história afetiva.


Celia Musilli
Editora de Cultura e colunista.


