'O antipoema': uma leitura existencial da contemporaneidade
Um poema sobre as coisas são próprias do desassossego e da literatura que nasce em nuvens
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de outubro de 2024
Um poema sobre as coisas são próprias do desassossego e da literatura que nasce em nuvens
Celia Musilli 

ando pensando na convergência
da falta de modos e das identidades
cardumes e bandos
colmeias e formigueiros
alcateias e humanidades
uma anarquia quando abro a boca
apenas com a certeza da espécie
sem nomear o verbo
*
a desinvenção é uma condição do acaso
do caos
do anonimato
do desconhecido
do coletivo
do misterioso
o que não faz parte da convenção do indivíduo
nem da convenção da palavra
*
ando sujeito que pensa no mundo das lagartixas
na solidão que sobe paredes
essas coisas são próprias do desassossego
da literatura que nasce em nuvens
no fluido do inominável
no indizível sexual de um texto
que sabe Lacan pela metade
*
com deficiência para ser espetáculo
a criação me toma apenas por melancolia
fundindo a língua na incabível semântica
do antipoema


