Inverno no Brasil e Trump aponta o rabo
Ele aponta e recua, aponta e recua, capaz de correr se a gente mostrar pra ele um crucifixo de pau-brasil
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sábado, 02 de agosto de 2025
Ele aponta e recua, aponta e recua, capaz de correr se a gente mostrar pra ele um crucifixo de pau-brasil

Ah! O clima é sempre assunto. Falar do frio ou calor é um modo de começar uma conversa, quando não tem conversa nenhuma.
No elevador:
- Bom dia, que frio, hein?
Na fila do açougue, no maior supermercado de Londrina:
- Boa tarde, tá muito frio.
E o cara à minha frente:
- Nem precisa congelar a carne. Aliás, agora vai ter muito mais carne no mercado com o tarifaço do Trump.
- Sim, o preço deve cair no mercado nacional, com carne de primeira.
- E o café, então, capaz do pacote sair de R$ 30,00 para R$ 25,00.
- E vamos tomar o tipo exportação.
O homem na fila ri.
Mas o melhor é no Uber, um boletim meteorológico completo:
- Bom dia, Célia.
- Bom dia, mas que frio hoje.
- Ontem, estava 7 graus de manhã, hoje estava marcando 8.
- Que bom, pelo menos congelou parte do tarifaço do Trump, as ações da Embraer dispararam na Bolsa, mais de 10% em poucas horas. Bolsa é assim, que nem o clima ultimamente, um sobe e desce sem fim.
No condomínio, a conversa não para. A vizinha do sexto reclama que a roupa não seca direito com a friagem. O porteiro reclama da falta de sol sentado na sua cadeirinha. Pega mais vezes o esfregão, sai limpando tudo que é canto.
- Exercício esquenta, explica.
Já eu, que nem exercício faço, vou tirar pela décima vez, neste inverno, o casaco mais pesado do armário, nem deu tempo de ir pra lavanderia. Ele é branco e a terra de Londrina é vermelha, apesar de apresentar uma leve camada de geada ultimamente, em plantações dos sítios aqui perto.
Mas moro no Calçadão, onde a terra por baixo do piso é vermelha. Origem e marca indelével da cidade. Às vezes salpicada de geada, às vezes tão quente que parece que estamos sentados em cima de um vulcão. E não é que estávamos?
No último verão, teve dias que o termômetro bateu em quase 40 graus. Ficava ali, na marca do pênalti: 37 graus, 38.
E a gente sonhando com aquela prainha que fica tão perto dos curitibanos. Mas temos o Lago Igapó que, no verão, ganha uma animação sem fim. Tem os bares com cerveja gelada, sorvete de casquinha, garapa, bermuda e regata. E "o barquinho vai, o barquinho vem."
Amo o verão. Não vejo a hora de tirar a rasteirinha do armário e o vestido de algodão.
Até lá, Trump já parou de fazer cena para "causar." O diabo aponta o rabo e recua. Aponta e recua. Capaz de correr se a gente mostrar pra ele um crucifixo de pau-brasil.
Agora deve estar lá, o laranjão. Com a cara feia, enquanto toma nosso suco porque não deu para abrir mão. Nossas laranjadas ocupam quase 60% do mercado gringo.
Sem contar que esta semana, no Dia do Juízo Final do anúncio da Lei Magnitsky e das tarifas, Xandão foi assistir ao jogo do Corinthians, e o time ganhou!
Isso sim, é Brasil.
Agora, só falta um calorzinho para preservar o humor.


Celia Musilli
Editora de Cultura e colunista.


