Ah! O clima é sempre assunto. Falar do frio ou calor é um modo de começar uma conversa, quando não tem conversa nenhuma.

No elevador:

- Bom dia, que frio, hein?

Na fila do açougue, no maior supermercado de Londrina:

- Boa tarde, tá muito frio.

E o cara à minha frente:

- Nem precisa congelar a carne. Aliás, agora vai ter muito mais carne no mercado com o tarifaço do Trump.

- Sim, o preço deve cair no mercado nacional, com carne de primeira.

- E o café, então, capaz do pacote sair de R$ 30,00 para R$ 25,00.

- E vamos tomar o tipo exportação.

O homem na fila ri.

Mas o melhor é no Uber, um boletim meteorológico completo:

- Bom dia, Célia.

- Bom dia, mas que frio hoje.

- Ontem, estava 7 graus de manhã, hoje estava marcando 8.

- Que bom, pelo menos congelou parte do tarifaço do Trump, as ações da Embraer dispararam na Bolsa, mais de 10% em poucas horas. Bolsa é assim, que nem o clima ultimamente, um sobe e desce sem fim.

No condomínio, a conversa não para. A vizinha do sexto reclama que a roupa não seca direito com a friagem. O porteiro reclama da falta de sol sentado na sua cadeirinha. Pega mais vezes o esfregão, sai limpando tudo que é canto.

- Exercício esquenta, explica.

Já eu, que nem exercício faço, vou tirar pela décima vez, neste inverno, o casaco mais pesado do armário, nem deu tempo de ir pra lavanderia. Ele é branco e a terra de Londrina é vermelha, apesar de apresentar uma leve camada de geada ultimamente, em plantações dos sítios aqui perto.

Mas moro no Calçadão, onde a terra por baixo do piso é vermelha. Origem e marca indelével da cidade. Às vezes salpicada de geada, às vezes tão quente que parece que estamos sentados em cima de um vulcão. E não é que estávamos?

No último verão, teve dias que o termômetro bateu em quase 40 graus. Ficava ali, na marca do pênalti: 37 graus, 38.

E a gente sonhando com aquela prainha que fica tão perto dos curitibanos. Mas temos o Lago Igapó que, no verão, ganha uma animação sem fim. Tem os bares com cerveja gelada, sorvete de casquinha, garapa, bermuda e regata. E "o barquinho vai, o barquinho vem."

Amo o verão. Não vejo a hora de tirar a rasteirinha do armário e o vestido de algodão.

Até lá, Trump já parou de fazer cena para "causar." O diabo aponta o rabo e recua. Aponta e recua. Capaz de correr se a gente mostrar pra ele um crucifixo de pau-brasil.

Agora deve estar lá, o laranjão. Com a cara feia, enquanto toma nosso suco porque não deu para abrir mão. Nossas laranjadas ocupam quase 60% do mercado gringo.

Sem contar que esta semana, no Dia do Juízo Final do anúncio da Lei Magnitsky e das tarifas, Xandão foi assistir ao jogo do Corinthians, e o time ganhou!

Isso sim, é Brasil.

Agora, só falta um calorzinho para preservar o humor.

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