A expressão "comida de mãe" carrega um bocado de afeto. É sempre confortável aquela refeição feita no capricho, com ingredientes simples, para se comer na mesa, com toalha xadrez.

Na minha correria diária nem sempre tenho esse luxo. O fast food eu dispenso, como às vezes nos bufes de comida por quilo, mas descobri um restaurante pertinho de casa no qual o bife é suculento e o ovo, de gema mole, é frito com perfeição.

Esses dias soube que a cozinheira é a dona do pequeno negócio. Dona Edeli chega de madrugada para começar a preparar as refeições. Às 4 horas da madrugada, de segunda a sábado, ela começa a rotina: põe o feijão no fogo, pica os temperos, lava as verduras. A comida é sempre fresca, feita no dia. Depois o seu sócio, o seu José, vai cortando as carnes, conferindo o estoque de alimentos e bebidas.

Uma das últimas tarefas é fazer o arroz, o bife e ovo quentinhos são preparados na hora, mas há pratos prontos para quem chega com pressa, frango com polenta, macarronadas, um surpreendente chilli, rocambole de carne, feijoada num dia da semana, pernil, batata frita, legumes cozidos, saladas. "Comida de mãe" para compensar a correria.

O restaurante fica num pequeno shopping na rua Prefeito Hugo Cabral, com mesinhas num espaço que lembra um quintal - outra memória de infância - e quase sempre já está lotado ao meio-dia.

Ali, as moças que trabalham em lojas do Calçadão fazem suas refeições, embora haja outros restaurantes muito bons por perto.

Ali também se ouvem "rabos de conversa" de tudo o que acontece no centro de Londrina.

Os funcionários de banco estão entre os mais assíduos, as mulheres de salto alto, faça sol ou chuva. Os homens sempre de blazer. Prestando atenção, dá para saber qual aplicação financeira está valendo a pena, qual tipo de financiamento está com juros menores. Enfim, uma "consultoria" na hora do almoço, sem pegar nenhuma fila.

Tem ainda os motoboys que entram e saem para fazer as entregas de comida, com novidades sobre o trânsito ou falando de um endereço difícil de encontrar.

Dona Edeli Bedendo, seu José dos Santos e a Stefany Mantovani, que fica no caixa, são o coração do restaurante, tocam o pequeno negócio com a esperança de sempre ir em frente, numa rotina puxada, mas sem perder o humor.

Na cozinha, dona Edeli dá conta do recado, picando, temperando, cozinhando e repetindo um lema, ouvido pelos clientes, que deve fazer parte do manual dos pequenos negócios: "eu vendo ou vendo!"

Sinto orgulho da garra desses brasileiros no cotidiano.

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