CÉLIA MUSILLI
Os homens nem imaginam o que é depilação a quente, depilação a frio e tirar cutículas com alicatinhos
Ah! Se os homens soubessem o que as mulheres passam num salão de beleza. Talvez alguns saibam, mas não estou falando dos metrossexuais, mas daqueles que gritam ai e ui até para cortar as unhas.
Os que gritam, nem imaginam o que é depilação a quente, depilação a frio, tirar sobrancelhas, cutículas com alicatinhos, levar puxão de cabelos para que as madeixas fiquem lisas como as da Gioconda de Da Vinci. E a gente sente dor, mas dá aquele sorrisinho amarelo: Não foi nada, viu!
Minha experiência nos salões de beleza começou na infância, eu vivia de cachinhos e esperava eufórica as tardes em que acompanhava minha mãe à cabeleireira, porque ela gostava de fazer permanente. O cheio daquele líquido durava dias no meu nariz. Um cheiro horroroso é verdade, que me fazia pensar se não seria fabricado no inferno, uma fórmula feita pelo capeta com enxofre, amoníaco e ovo. Mas minha mãe saía feliz da vida, com os cabelos encaracolados e acho que nunca imaginou que, anos mais tarde, a filha faria o penteado ao contrário, alisando os fios com escovas, pranchas e outros líquidos que eu ainda acho que são fabricados no inferno. Com um pouco menos de enxofre.
Pois é, minha aventura nos salões passa também por experiências com uma amiga de infância que, já madura, resolveu dedicar-se à arte de pentear, cortar, alisar e encaracolar. Então convocou as muito íntimas primas, irmãs, amigas do peito para serem as suas cobaias.
Eu, que sempre tive cabelos escuros, era resistente à idéia de mudar a cor dos fios. Mas um dia, cedendo aos desejos da nova alquimista, deixei que ela testasse em mim sua habilidade com as luzes. Fiquei lá, pelo menos duas horas, descolorindo as mechas que, pelos planos, deveriam ganhar um tom castanho dourado. Enquanto ela mexia e remexia as poções, eu pensava em Rita Hayworth e entrava em pânico com a possibilidade de ficar ruiva. Pensava em Marilyn Monroe e quase desmaiava imaginando que pudesse me transformar na loira mais fajuta do planeta. O pior eu ainda não imaginava: que sairia do salão com escandalosas mechas alaranjadas. Quando vi aquilo, acendi uma vela pra Saint Germain, padroeiro da alquimia, e implorei à minha amiga: Telefone para o fabricante, enquanto chorava me sentindo uma abóbora do Halloween.
No fim, tudo se arranjou, meus cabelos voltaram a ser escuros, e minha amiga hoje é uma grande profissional à qual entrego minhas madeixas sem queixas... e de olhos fechados. Mas luzes, senhores, nunca mais! Prefiro blackout. Trauma, vocês sabem, a gente só resolve no divã.
Ah! Se os homens soubessem o que as mulheres passam no cabeleireiro.
Mas o salão também é um lugar onde todas desabafam, relatam problemas, contam piadas. Na verdade, não existe lugar melhor para saber da vida alheia: quem teve filho, quem se separou, quem fez plástica, esticou os olhinhos, inflou a boca, colocou silicone pra ficar igualzinha a Danielle Winits.
Ah! Os salões de beleza, territórios de prazer, cheios de papos sobre estética e gracejos. Área onde as amigas batem bola e as inimigas se comprazem com o corte horroroso do cabelo da outra.
Ai que mundinho pequeno! E também divertido, onde a gente fica sabendo de coisas que até Deus duvida. Pois me contaram outro dia que, numa grande loja de cosméticos de Londrina, as mulheres se juntaram para fazer um abaixo-assinado porque um fabricante tirou o esmalte Tâmara de linha. Imagine ficar sem aquele vermelho vivo, cor do pecado com a qual a gente faz charme esticando os pezinhos. Por tudo isso, dizem que o documento já conta com mais de 2 mil assinaturas. E diante de fato tão inusitado, fico pensando que se Renan Calheiros fosse esmalte, seria fácil reunir o mulherio pra tirar o calhorda do mercado. Sai de linha Renan! Pena que ele seja um senador e não fique vermelho nem de vergonha.
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